segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Mais goianos estão nas salas de aula

João Paulo Teixeira e Renato Rodrigues

Aumentou em quase 20 mil o número de goianos que freqüentam alguma série da educação regular, do pré-escolar ao doutorado. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (Pnad) divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O ensino superior foi o período que mais registrou aumento, com quase 1% em relação a 2005. O segundo grau apresentou acréscimo de um ponto percentual. Apesar da alta na maioria das modalidades da educação básica, o número de crianças matriculadas na alfabetização decresceu mais de 1%. Apesar da diminuição dos matriculados na fase inicial do ensino, houve aumento de quase 2% dos alunos nas escolas particulares, referente ao nível fundamental.

Outro aumento sensível foi a procura por instituições privadas de ensino superior. A fração dos que cursam faculdades particulares, em comparação a todos que cursam o terceiro grau em Goiás, saltou dos 7,51% em 2005 para 8,73% em 2006. A taxa dos que estão matriculados na última fase da ensino regular correspondeu no ano passado a quase 12% de todos os estudantes goianos.

A estudante de Direito Marta Vieira dos Santos, 45, está entre os alunos de faculdades privadas. Ela prestou vestibular em 2005, na Universidade Federal de Goiás (UFG) e na Faculdade Sul-Americana (Fasam). Não obteve sucesso na rede pública, por isso não pestanejou e foi fazer o curso, mesmo sabendo que o custo financeiro é alto. “O vestibular é menos concorrido, e as bolsas oferecidas pelo governo, e até pela própria faculdade, facilitam o ingresso de estudantes”.

Depois de matriculada, Marta fez uma proposta à faculdade. Ela iria trabalhar quatro horas por dia na instituição, em troca de meia bolsa na mensalidade. A Fasam aceitou o pedido, e hoje a estudante se diz satisfeita com a qualidade do curso. “Tenho amigos que saíram da rede pública e vieram para a privada. Na maioria da vezes, por questão de horário ou até qualidade”, diz Marta.

Brasil No País, aumentou em 13,2% o número de estudantes no ensino superior, enquanto houve queda de 4,5% nos inscritos na alfabetização e de 0,9% nos matriculados no ensino médio. O Pnad ainda mostrou que Estados como Rondônia ainda tem mais de 40% das crianças entre 5 e 6 anos fora da escola. Em nível nacional, a participação no sistema educacional em 2006 era de 31,7% para pessoas entre 18 a 24 anos. Após os 25%, a taxa de permanência nas escolas brasileiras representava 5,6%.

Em todos os grupos de idade, as mulheres tinham percentual maior de freqüência à escola que os homens. Para o grupo em idade escolar, de 5 a 17 anos de idade, as proporções de estudantes eram 92,4% entre as mulheres e 91,9% para os homens. Em todas as regiões, as mulheres se mostraram mais presentes, mas a região Centro-Oeste quase apareceu um empate, com apenas 0,1% de diferença.

Acesso E não é só a educação que está em alta. Aumentou ainda o interesse dos brasileiros pelo computador. Em todas regiões do País o número de máquinas nas residências foi maior em 2006 em relação a 2005, quando 18,6% das casas tinham computador, taxa que passou para 22,4% em 2006. O número de linhas telefônicas nas residências brasileiras no ano passado aumentou para 74,5%, sendo que, até 2005, 71,6 % das famílias contavam com o telefone. Nas regiões Norte e Nordeste, os celulares caíram no gosto dos consumidores e os índices de crescimento na quantidade de telefones móveis superaram a média nacional.

Pólo de imigração

A Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad) mostra que a região Centro-Oeste, na análise por regiões, e Roraima, em relação aos Estados, são os maiores pólos de migração no País. Em Goiás, 53,7% da população nos municípios é formada por imigrantes.

O estudante Italo Ramalho, 20, há oito anos mora em Aparecida de Goiânia. Natural da cidade do Rio de Janeiro, Italo morava na capital paulista quando os pais resolveram procurar um lugar que oferecesse melhores condições de vida. “Não sabia nem o nome da cidade em íamos morar, viemos só com a cara e a coragem”. Segundo ele, aqui os pais alcançaram metas tidas como impossíves no Rio.

Segundo o especialista em geopolítica e professor do Instituto de Estudos Socioambientais da Universidade Federal de Goiás, Romualdo Pessoa Campos Filho, um dos principais fatores que contribuíram para a grande incidência de imigrantes no Estado foi o desenvolvimento da região Centro-Oeste ocasionado pela transferência da capital federal para o interior do Brasil. Além disso, logisticamente Goiás é um Estado que possibilita uma fácil ligação com o Centro-Sul do País, principalmente com o Sudeste.

Acesso a saneamento

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) revelou dados preocupantes em relação à infra-estrutura de saneamento básico nas casas brasileiras, com a informação de que quase 30% das moradias não têm serviço de rede de esgoto. Apesar da constatação, os dados mostraram uma alta em relação a 2005 no número de unidades domiciliares atendidas por rede coletora de esgoto em 3,3%, e do número de moradias que utilizavam fossa séptica em 6,1%.

O Amapá apresentou grande queda no atendimento de rede de esgoto ou fossa séptica nas casas: de 58,4% em 2005 para 27,2% em 2006. Outro Estado que também apresentou queda no serviço foi o Rio Grande do Norte: de 55,9% em 2005 para 45,9% em 2006.

O Pnad também observou em todas as regiões brasileiras o o crescimento do percentual de casa cujo lixo era coletado. A proporção de domicílios atendidos passou de 85,8%, em 2005, para 86,6%, em 2006, de um total de 54,6 milhões de casas particulares brasileiras.

Entretanto, um universo de 7,3 milhões de moradias ainda não têm o serviço. A análise por regiões revelou que 72,8% dos domicílios têm o lixo coletado no Nordeste, região que apresentou o pior índice. Gradativamente, o número subiu nas regiões Norte (76,0%) e no Centro-Oeste, Sul e Sudeste: 87,8%, 89,4% e 94,9%, respectivamente.

Cada vez menos filhos

A taxa de fecundidade da população brasileira em 2006, de dois nascimentos por mulher, foi a menor já registrada pelo IBGE e reduziu ao nível do limite da reposição. Isso significa que assim como o número de filhos e a parcela mais jovem da população apresentaram queda, a faixa de pessoas com 60 anos ou mais cresceu em todas as regiões. A Pnad detectou tendência de queda no número de filhos desde a década de 1960 nas famílias brasileiras, com o advento dos novos métodos contraceptivos.

Na época, a taxa de fecundidade era de 6,3 nascimentos por mulher, pouco acima do registrado nas duas décadas anteriores. Em 1970, a taxa de fecundidade no País caiu para 5,8 filhos por mulher e, dez anos depois, para 4,4. Em 1991 e 2000, as taxas foram de 2,9 e 2,3, respectivamente.

Outro dado apresentado pela Pnad é em relação à população jovem com até 25 anos, que diminuiu nos últimos anos. Entre 1981 e 2006, a proporção de jovens caiu de 58,2 para 44,3% do total. A faixa de crianças com até 9 anos no País continua menor que a de indivíduos com mais de 40 anos em todas as regiões, com exceção da Região Norte. A diferença mais acentuada entre faixas etárias está no Sul e Sudeste.

Mulheres são 52,5%

Ainda segundo o IBGE, nascem mais homens no País, mas são as mulheres que vivem mais. A Região Sudeste é a que possui mais mulheres com 60 anos ou mais (57,2%), seguida da Região Sul (55,9%), Nordeste (55,2%), Centro-Oeste (52,5%) e Norte (51,5%).

Dados como a expectativa de vida do brasileiro, assim como as taxas de fecundidade divididas por região, vão ser divulgados pelo IBGE no próximo dia 28, na Síntese de Indicadores Sociais relativo a 2006, que incluem resultados da Pnad somados a outros levantamentos.

AbastecimentoA Região Norte apresentou os piores índices de cobertura de abastecimento de água do Brasil. Em Rondônia, o número de casas com água tratada ficou em 38,6%, no Acre em 47,6% e no Pará, 48,2%. O diagnóstico constatou que os índices pouco oscilaram em relação a 2005. O Distrito Federal e São Paulo tiveram as maiores coberturas, superando os 90% dos domicílios nos dois últimos anos.

Na Região Nordeste, o destaque foi Sergipe, que se aproximou dessa marca em 2006, alcançando 89,2% de cobertura do fornecimento de água por meio de rede geral de atendimento. No Brasil existe a Lei 11.445/2007, conhecida como a Lei do Saneamento Básico, que prevê a universalização dos serviços de abastecimento de água, rede de esgoto e drenagem de águas pluviais.

Publicada dia 15 de setembro de 2007
Editoria de Cidades, página 15 e capa.

18 vagas para estudantes

João Paulo Teixeira

A embaixada dos Estados Unidos (EUA) no Brasil lança o programa “Study for Student Leaders”. Os selecionados vão receber um curso intensivo sobre a cultura e as instituições norte-americanas e ainda devem viajar às principais localidades do país. A viagem, com todas as despesas pagas pelo programa, está marcada para o início do mês de janeiro do próximo ano.

Para se inscrever no “Study for Student Leaders”, o candidato deve cursar até o terceiro ano de qualquer curso superior brasileiro, ter fluência na língua inglesa e trabalhar com atividades comunitárias. “Além de fluência em inglês, queremos estudantes empenhados com a vida comunitária da região onde vivem”, explica a assessora cultural da embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Vera Galante.

Os interessados nas vagas devem preencher o formulário de inscrição na página da embaixada na internet (www.embaixadaamericana.org.br) e enviá-lo até o dia 8 de outubro. Para comprovar fluência em inglês, o candidato deve apresentar diploma do Toefl ou o resultado do Telp (exames de proficiência). O primeiro é realizado em Brasília, (DF) e o segundo pode ser feito exclusivamente na Unidade Bueno do Centro Cultural Brasil Estados Unidos (CCBEU).

A responsável pela aplicação do teste em Goiânia, Viviane Silvestre, explica que o candidato deve encaminhar o formulário, juntamente com um dos dois certificados de proficiência. “Quem não tem o Toefl, que é aplicado em Brasília, basta apenas se submeter ao Telp, que já vai ser realizado no próximo dia 21 de setembro”, especifica.

Em conjunto com a viagem, o material de estudos e as aulas em classe, os participantes terão direito à passagem aérea internacional, transporte por terra, material didático, moradia estudantil, refeições e seguro-saúde. “Um dos critérios de seleção estudantil, entre todos os pré-requisitos, é a diversidade cultural e geográfica. Queremos fazer um panorama do que é o Brasil. Pessoas de Goiânia e do interior do Estado têm muita chance”, definiu a assessora cultural da embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Vera Galante.

Publicado dia 14 de setembro de 2007

Uso de celulares pode ser proibido

João Paulo Teixeira

Deputado estadual Wellington Valim (PCdoB) apresentou na última terça feira, dia 11, um projeto de lei que proíbe o uso de telefones celulares nas instituições públicas de ensino do Estado de Goiás. Encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o projeto vai ser avaliado para retornar à votação da Assembléia Legislativa de Goiás.

Se for aprovado em votação, a proibição entra em vigor logo após a sanção do governador do Estado, Alcides Rodrigues. “Não sou contra o celular. Acredito até que em muitas ocasiões ele é fundamental, um instrumento de trabalho, mas na sala de aula ele desvia a atenção dos alunos”, afirmou o relator do projeto.

Ele também explica que muitas vezes os estudantes são flagrados em ligação durante a aula e ainda usam o aparelho para “colar” nas avaliações. “Vários professores já relataram o mau uso do celular nas salas de aula. Às vezes, barulho interrompe as explicações e também há casos de torpedos usados em colas”, identifica. O projeto ainda justifica que em caso de emergências, o telefone fixo da própria escola pode ser usado.

Caso se transforme em lei, a proibição do uso do aparelho celular deve ser regulado e fiscalizado pela Secretaria Estadual de Educação. “Para operar a lei, definiremos reunião com membros da Secretaria Estadual de Educação. O mais provável é que nenhum dos alunos possa entrar na escola com aparelho ligado ou que tenha que deixá-lo em casa, como acontece nos exames de vestibulares”, explica o deputado estadual Wellington Valim.

A assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Educação afirmou que só vai se pronunciar sobre o assunto se o projeto for aprovado e sancionado pelo governador.

Polêmica – Um projeto similar, aprovado há duas semanas na Assembléia Legislativa de São Paulo, gera polêmica. Necessitando apenas da aprovação do governador José Serra para entrar em vigor, a proibição divide educadores, pais e estudantes. Na época da apresentação da medida paulista, o jornal Diário da Manhã consultou o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino de Goiás, Alexandre Umbelino de Souza, que apoiou a medida e indicou a implantação do mesmo projeto no Estado de Goiás.

Na Itália, o Ministério da Educação (Mec) expediu regulamento que proíbe o uso de telefones móveis dentro das salas de aula. As punições vão desde o confisco dos aparelhos pelo professor e, em caso de reincidência, a proibição de realização dos exames finais. De acordo com o ministro, o regulamento, além de evitar a distração, também diminui o uso do celular, que pode ser prejudicial à saúde. Na França, outro projeto de lei proibiu o uso do aparelho nas escolas para preservar as crianças das ondas eletromagnéticas.

Publicado dia 13 de setembro de 2007
Editoria de Cidades, página 15

Crescem atentados contra menores

João Paulo Teixeira

O crime de atentado violento ao pudor contra menores aumentou de três em janeiro deste ano para dez casos em agosto do mesmo ano. Os dados são da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Desde o começo do ano, a delegacia já contabiliza, em todas as agressões contra menores, mais de 350 registros confirmados por Boletim de Ocorrência (B.O.). Entre os casos com maior progressão está o atentado violento ao pudor, com 65 confirmações, e estupro, com 44 casos.

Com média de dez casos por mês, maus-tratos é o crime mais identificado na delegacia, seguido por lesão corporal, com 81 registros nos últimos oito meses. A delegada Adriana Accorsi explica que chega aos números e posteriormente aos registros depois de investigações da polícia e denúncias de familiares, conselhos tutelares e ligações anônimas. “Uma das mais importantes fontes de informação é as denúncias anônimas. Quem souber de possíveis crimes contra menores precisa apenas telefonar anonimamente para o número 197”, indica.

Adriana explica que a grande maioria dos crimes, cerca de 80%, é praticada por familiares e pessoas próximas à criança ou ao adolescente. “São geralmente padrastos, pais, avós, irmãos, tios ou vizinhos. São classificados como abusadores, e não agressores, como no caso de estranhos”, classifica. Ela também afirma que o perfil típico dos casos que chegam à delegacia é de pessoas que já apresentam histórico de violência familiar, uso de substâncias entorpecentes como o álcool e subempregos. “Obviamente pode acontecer em qualquer lugar, qualquer escola ou qualquer família, mas a maioria dos casos que chegam a DPCA tem este perfil,” afirma ela, que descarta a relação direta entre pobreza e crimes contra menores.

O psicólogo especialista em Criminologia e Psicologia Jurídica Leonardo Ferreira, que avalia alguns casos que chegam à DPCA e ao Instituto Médico-Legal (IML), ressalta que muitas vezes as lesões físicas, quando existem, não são os maiores danos às crianças e aos adolescentes. “A vítima pode adquirir problemas para o resto da vida.” Ele explica que, na maioria dos casos, problemas afetivos, de relacionamento interpessoal, distúrbios alimentares ou de vínculos conjugais podem ser desencadeados pelo abuso na infância. “Extrema baixa estima, depressão, ansiedade, pânico, fobias, quedas bruscas do rendimento escolar ou mesmo um interesse exagerado pela sexualidade surgem, em diferentes modos, com a agressão.”

Leonardo também afirma que pesquisas recentes apontam que crianças ou adolescentes violentados tendem a sofrer alterações não apenas psicológicas, mas hormonais e bioquímicas. “Estruturas cerebrais se alteram com o choque vivido pelos menores.”

Publicado dia 12 de setembro de 2007
Editoria de Cidades, página 18
http://www.dm.com.br/digital/index.php?edicao=7250

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Trabalhistas querem eleições diretas

João Paulo Teixeira

A Associação Goiana dos Advogados Trabalhistas (Agatra) faz campanha em defesa da votação direta para os seis nomes indicados para o cargo de desembargador do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) no Estado de Goiás. A campanha, denominada “Diretas Já”, visa mudar a forma que o quinto constitucional é escolhido tradicionalmente em Goiás. O Conselho Seccional Goiano, após votação indireta, escolhe seis nomes e os envia ao TRT da 18ª região, que escolhe três nomes e os envia ao presidente da República, que, por sua vez, nomeia um da lista tríplice.

O presidente da Agatra, Eliomar Pires Martins, em visita ao DM, na última sexta-feira (7), afirmou que a associação defende a mudança por entender que são os advogados trabalhistas que têm a competência de escolher o representante da classe. “O quinto constitucional representa os advogados”, disse. Ele explicou que a eleição direta é a forma democrática de apontar um candidato ao cargo. “Somente este processo considera o maior princípio da democracia: a legitimidade eleitoral.”

Acompanhado da ex-presidente da associação Maria Madalena Melo Martins Carvelo, Eliomar ressaltou que sete unidades da federação já escolhem a lista dos nomes a desembargador pela votação direta e espera que o processo dos advogados trabalhistas goianos mude a forma de votação do Estado. “A Agatra vai buscar sensibilizar os 41 membros do Conselho Seccional Goiano da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO) para optar pela eleição direta para compor a lista sextúpla ao cargo de desembargador.” Depois da eleição, a associação tentará convencer os membros do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) a manter os três mais votados e enviar os nomes ao presidente Lula, respeitando, assim, a vontade da classe.

Assinado por mais de 300 advogados trabalhistas, o requerimento enviado na semana passada à OAB pede também que a entidade atue em favor da causa, com a regulação do processo eleitoral por meio de eleição direta, com voto secreto e universal a todos os advogados trabalhistas inscritos na instituição.

Apoio político O presidente da Agatra também apresentou documento assinado por líderes dos partidos políticos apoiando a votação direta para o cargo de desembargador. O deputado estadual Mauro Rubem (PT) afirmou que a eleição direta, a partir da lista sextúpla, é a forma mais viável de representação para cargo importante na esfera federal. “O desembargador tem papel chave no TRT. Se é eleito pelo voto direto, e não por jogadas políticas, sua preocupação transfere-se para a sociedade.” O magistrado e presidente da Associação Goiana dos Magistrados do Trabalho, Rodrigo Dias Fonseca, acredita que o pedido dos advogados é legítimo, mas que apenas a OAB tem o poder de adotá-lo. “Se a OAB, por iniciativa própria, acatar a medida, será realmente mais democrático, mas cabe apenas a ela decidir”, pondera.

OAB Eliomar Martins deseja, posteriormente, a atualização, por parte do Conselho Federal da OAB, do provimento nº 102/2004, extinguindo a votação indireta e transformando a votação direta na única forma de escolher a lista dos advogados concorrente ao cargo do quinto constitucional. “Defendemos, ainda, que a Constituição seja alterada para implantar mandato para o desembargador proveniente da advocacia e que se institua o impeachment para o quinto constitucional pela categoria que o elegeu, já que hoje o cargo é vitalício. Assim, ele não perde o vínculo com a categoria e não abandona a defesa permanente das prerrogativas da advocacia.”

Sobre os possíveis candidatos, Eliomar explicou que apenas depois da definição da modalidade de votação vão surgir candidatos com o perfil desejado pela categoria. “A OAB chegou a publicar o edital estabelecendo prazo para inscrição dos candidatos ao cargo, mas não definiu os eleitores e nem a modalidade de voto. Não posso adiantar nomes, mas posso afirmar que, na Justiça do Trabalho, há vários advogados trabalhistas que honrarão a categoria, emprestando seu nome para tão relevante cargo.”

Amanhã, às 13h30, audiência pública no auditório da Assembléia Legislativa vai debater como deve ser a modalidade de votação para os nomes ao cargo de desembargador.

Publicado originalmente, dia 10/09/2007 em:

Feriado e sol quente lotam clubes

João Paulo Teixeira

O goianiense que não viajou neste final de semana buscou refresco nas piscinas dos clubes da Capital. O sol forte e as temperaturas altas também contribuíram para a alta na procura. O encarregado da central de antendimento do Clube Jaó, Hugo Antônio da Silva, percebeu acréscimo de pelo menos 40% em relação aos finais de semana tradicionais. “O clube investiu em eventos que atraem tanto o associado quanto os visitantes. Temos shows nas psicinas, happy hour e atrações musicais.”

No clube Oasis, a procura no feriado prolongado superou em mais de 35% o número de visitantes de um final de semana normal. A professora universitária Ivana Martins Camargo, 47, buscou se distrair da rotina em um quiosque do local. “O ambiente é agradável e o clima é bom.” Ela aproveitou a tarde de ontem para ficar em dia com as notícias. “Aproveito o tempo para ler jornais e revistas. Ficar bem informada faz parte do lazer”.

O comerciante Paulo Martins Fontes, 42, afirma que procurou o clube porque não pode viajar. “Trabalhei no sábado, só na tarde de domingo pude vir com a família.” Diferente do empresário, o aposentado Sérgio Garcia, 67, freqüenta o clube há 30 anos e abriu mão de viajar com os filhos para ir com os amigos ao bar do lugar.

Publicado originalmente, dia 10/09/2007 em:

Comemoração internacional

João Paulo Teixeira

Helena Rabahi, 16, e um grupo de 20 estudantes brasileiros comemoraram na última sexta-feira, dia 7 de setembro, o dia da Independência do Brasil nos Estados Unidos. Vestindo camisas da seleção brasileira de futebol, a homenagem aconteceu no Contennial High School, em Roswell, na Geórgia.Helena, que mora na América do Norte há nove meses com os pais e a irmã, nasceu em Goiânia.

Em busca de melhores condições de vida, os pais de Helena, Fabio Fouad Rabahi e Rima Rabahi trabalham no setor de limpeza nos Estados Unidos. Ela e a irmã Natália Rabahi cursam nos EUA o correspondente ao ensino médio no Brasil. “Aqui a escola é pública, organizada, e de qualidade. Só no início temos dificuldade, por causa da língua”, conta a estudante.

Sobre discriminação, Helena diz que praticamente inexiste no lugar onde mora, devido ao número de imigrantes. “Aqui, a cidade já se acostumou a nós”, conta. Para matar a saudade da pátria, Helena conta a receita: “Fazemos de tudo aqui, para todos saberem que somos brasileiros. Usamos camisetas do Brasil, falamos português e o ensinamos aos americanos. Música sertaneja e comida típica brasileira, aqui, também não faltam.”

Foi exatamente a paixão pelo Brasil que fez com que ela e os amigos conterrâneos decidissem usar as cores da bandeira do Brasil na última sexta-feira, 7 de setembro. As tonalidades fortes do verde-amarelo fizeram o grupo se destacar em meio aos outros alunos da Contennial High School. “Fomos para a escola com camisetas do Brasil pra não deixar passar em branco. Podemos estar longe, mas pode ter certeza que sempre lembraremos do nosso Brasil”, justifica a estudante goiana.

Celebração Em Goiânia, o 7 de Setembro foi marcado por um desfile cívico-militar que levou cerca de 15 mil pessoas à Avenida Tocantins, no Setor Central. Nem o sol forte, por volta de 37ºC, fez desanimar quem foi ao local para assistir às apresentações de tropas do Exército, Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar. Em torno de mil estudantes de 19 escolas públicas estaduais e municipais participaram do desfile.

Publicado originalmente, dia 09/09/2007 em:

sábado, 8 de setembro de 2007

Comércio limitado de produtos em farmácias

João Paulo Teixeira
e Daniel Gondim


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu uma consulta pública para normatizar os serviços oferecidos pelas farmácias. A atitude do órgão quer colocar um fim na polêmica em torno da proibição determinada pela Lei Federal nº 5.991, de 1973, que impede a venda de produtos sem relação com medicamentos, como refrigerantes, pães e cartões telefônicos. No decorrer do processo, as farmácias de Campo Grande (MS) conseguiram liminar que derrubou a lei que impedia a comercialização desses produtos. O sindicato da categoria no Estado alegou que a suspensão do comércio diferenciado poderia reduzir o lucro das farmácias. Em Salvador, dos donos de farmácias também protestaram contra a proibição da venda desses produtos.

Em Goiás, ao contrário do Mato Grosso do Sul e da Bahia, o Sindicato dos Farmacêuticos acredita que não há sentido vender nestes estabelecimentos produtos alheios à saúde. O presidente da categoria, Cabri Saloleh Ahmad, acredita que as farmácias, ao se preocuparem com produtos como sandálias, filmes fotográficos ou sorvetes, deixam de explorar nichos de consumo diretamente relacionados à saúde, como aspartames e alimentos para hipertensos, obesos e diabéticos.Perguntado sobre possível queda de lucratividade dos farmacêuticos, Cabid diz que, se as farmácias se propõem a vender produtos não-relacionados à área medicinal, nada impede que os supermecados possam vender remédios que não exigem receita médica. “Ao separar os revendedores, evitamos uma guerra desnecessária entre farmácias e supermecados.”

O Conselho Regional de Farmácia de Goiás (CRF-GO) concorda com a limitação à venda de produtos alheios à saúde. “A farmácia deve ser um posto avançado de saúde, e por isso alimentos não devem ser vendidos. Ela não é supermercado”, diz a presidente do conselho, Nara Luíza de Oliveira. Segundo Nara, a venda de produtos nas farmácias só deve ocorrer se estiver ligada de alguma forma à saúde da população. “Nós apoiamos a idéia da venda, por exemplo, de artigos para diabéticos, pois, embora não seja um medicamento, é algo que auxilia no tratamento”, explica.

Segundo a Vigilância Sanitária Municipal (Visa), órgão que fiscaliza as farmácias em Goiânia, produtos como bijuterias, brinquedos, recarga para celulares e alimentos que não tenham finalidade medicinal não podem ser vendidos nesses estabelecimentos. No caso de um flagrante da venda de alguns desses produtos, a chefe da Divisão de Produtos Químicos da Visa, Tilma Macedo, explica que o estabelecimento será autuado e receberá uma multa, além de ter todos os produtos ilegais apreendidos. Tilma alerta ainda que supermercados não podem vender remédios e que eles estão sujeitos às mesmas penas impostas às farmácias.

Anvisa realiza consulta pública dia 10

Quem quiser participar da Consulta Pública promovida pela Anvisa deve enviar uma carta até o dia 10 de setembro para o endereço: Agência Nacional de Vigilância Sanitária/ Assessoria Técnica, SEPN 515, Bloco B, Edifício Ômega, Asa Norte, Brasília (DF) - CEP 70.770-502. As contribuições também serão recebidas pelo fax (61) 3448-3022; pelo e-mail cp69.2007@anvisa.gov.br e pelo fórum no site do órgão (http://www.anvisa.gov.br/).

Entenda a polêmica

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu consulta pública para decidir se as farmácias podem ou não vender produtos que não estão diretamente relacionados à saúde, como cartões telefônicos, filmes fotográficos e alimentos. Sindicatos da categoria em todo o Brasil divergem sobre o assunto.

O Sindicato e o Conselho Regional do Estado de Goiás são favoráveis à proibição. Quem quiser votar deve mandar uma carta, fax ou e-mail para a sede da Anvisa, em Brasília.

Publicado originalmente, dia 08/09/2007 em:
http://www.dm.com.br/digital/index.php?edicao=7246

Tragédias nas estradas

João Paulo Teixeira

Mais de 35 mil pessoas morrem por ano nas estradas brasileiras. Isso equivale, em números de vítimas, à queda de um Airbus-320 – igual ao último acidente da companhia TAM que matou 199 pessoas – a cada dois dias. As estatísticas são do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e se referem ao ano de 2005. Desde que entrou em vigor o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), em janeiro de 1998, as mortes no trânsito são como se tivessem sido perdidas vidas de passageiros de cerca de 1,6 mil airbuses lotados.

Ocorreram em Goiás, no ano de 2005, 59.217 acidentes, com 1.184 mortos. Em comparação, quase 6 aviões lotados como o da TAM. Os dados foram divulgados pelo Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran/GO). No ano passado, aconteceram no Estado 48.091 acidentes, com 32.018 feridos e 1.081 mortos. Neste ano, até o mês de maio, 427 pessoas já morreram nas ruas e estradas goianas, o que corresponde a mais de três Airbuses-320 lotados. Os dados do Denatran, agrupados na última quarta-feira com os do Ministério da Saúde e os do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que, além dos mais de 35 mil mortos nas estradas, o trânsito brasileiro ainda deixa 120 mil pessoas internadas.

A reunião dos dados, realizada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), se transformou no livro Acidentes de Trânsito no Brasil - Um Atlas de sua Distribuição, que traz comparações sobre os tipos de acidentes e a faixa etária dos envolvidos proporcionalmente à frota e à população de todos os Estados da federação. O número de acidentes registrados em Goiás, segundo o diretor do Detran/GO, Horácio Melo, é o reflexo da combinação entre aumento da frota de veículos e a imprudência. “Com os aviões, a imprudência praticamente inexiste. No trânsito, ela é freqüente. A única forma de diminuir os acidentes é conscientizar, como o Detran/GO já faz há muito tempo”, acredita.

Sensação de segurança é maior nas rodovias

Apesar das estatísticas, o ex-presidente do Sebrae/GO Gilvane Felipe, que já sofreu acidente tanto de carro quanto de avião, prefere as estradas. “Por mais que a probabilidade de acidente seja esmagadora, prefiro viajar de carro. Quem já sobreviveu à queda de um avião sabe que a sensação de morte é infinitamente maior”, acredita.Gilvane, que opta por viajar de carro quando precisa ir a Brasília (DF), acredita que está mais protegido quando segura o volante do que quando está sentado numa poltrona de avião. “A impressão de segurança, para mim, é maior quando estou dirigindo. No avião, você depende de outras pessoas, o que traz mais insegurança, por mais que essas pessoas sejam competentes.”

Ciclistas Em 2005, morreram diariamente em todo o País 4,2 ciclistas. A morte de mais de 1.500 ciclistas a cada ano equivale a mais de sete acidentes aéreos como o da TAM. As despesas aos cofres públicos com todos os acidentes de veículos terrestres daquele ano, com ou sem vítimas, foram de R$ 22 bilhões, o que equivale a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB).

Publicado originalmente, dia 07/09/2007

Juventude eterna

João Paulo Teixeira

O jovem Claudeon Souza do Nascimento, 25, tem uma peculiaridade que o identifica desde os sete anos de idade: a baixa estatura. Natural de Cristópolis, município no interior da Bahia, veio para Goiânia aos dois anos idade com a família. Logo no início da infância a mãe, Ademita Souza do Nascimento, notou a deficiência e procurou auxílio médico. Diagnosticado o problema – nanismo hipofásico – depois de uma peregrinação por postos e hospitais públicos, Claudeon passou mais de oito anos sem tomar os medicamentos por falta de condições financeiras.

Aos 18 anos, quando a vizinha Amélia Maria Ribeiro do Nascimento o levou para iniciar o tratamento contra a doença, um tempo precioso já havia se perdido. O nanismo hipofásico, a mais provável causa da deficiência, é uma doença rara, que reduz quase a zero as taxas do hormônio de crescimento. Mesmo perdendo a faixa etária da puberdade, essencial para tratamentos de estatura, Claudeon ganhou 23 centímetros, saindo de 1,19m para os atuais 1,42m.

O médico endocrinologista Alberto da Silva Dias Filho observa que o sucesso do tratamento foi acima do esperado, considerando a faixa etária de início: como aos 18 anos os chamados núcleos de crescimento já estão praticamente fechados, foi um ganho extremamente significativo. O médico também confirma a expectativa de Claudeon, que, se iniciado antes, o crescimento seria ainda maior.

Mesmo considerando as dificuldades do diagnóstico sem uma análise clínica do caso, a médica endocrinologista Raquel Siqueira acredita que um atraso puberal atrapalhou a atuação do hormônio do crescimento: “A deficiência no hormônio muitas vezes é associada ao hipogonadismo, que se manifesta na ausência de sinais de puberdade.” Ela também ressalta que, em todos os distúrbios de estatura em que a criança não acompanha a curva de crescimento da faixa etária, o correto é consultar imediatamente um médico especializado em Endocrinologia.

De uma família de seis irmãos, Claudeon é o único que apresenta o distúrbio. Mas o sobrinho Artur Cleber, 10, apresenta características semelhantes às do tio. “Ele se parece comigo; é pequenininho também”, comenta Claudeon, que ainda não buscou avaliação médica para Artur.

Rotina Apesar de encontrar dificuldades em atividades rotineiras, como tomar ônibus, e de acreditar que o problema foi responsável por fazê-lo abandonar os estudos no primeiro ano do ensino médio, Claudeon leva uma vida normal e trabalha há seis anos em uma empresa de óticas na Capital. “Sou muito bem aceito na família e na empresa em que trabalho. Todos me tratam bem. Não sinto preconceito, mas queria ter conseguido os medicamentos com uns 10 anos de idade”, lamenta.

Para freqüentar bares, boates ou ir ao estádio assistir aos jogos do Vila Nova Futebol Clube, Claudeon lembra que não pode esquecer a carteira de identidade “Se não me deixam entrar, logo mostro a identidade, e tudo fica liberado. Muita gente não acredita.”

Publicado originalmente, dia 05/09/2007 em:

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Mutirão beneficia mais nove bairros

João Paulo Teixeira

“Para mim, é a imagem do progresso.” É assim que Renato de Araújo, 34, morador da região Macambira Cascavel, vê a primeira etapa do Projeto Mutirão nos Bairros, que começou ontem às 8 horas. A programação termina hoje, às 18 horas, com a comemoração do aniversário do Bairro da Vitória e autorização da construção da Escola Municipal no bairro.Atendendo os bairros Novo Horizonte, Jardim Europa, Jardim Planalto, Jardim Vila Boa, Vila Rezende, Bairro Anhangüera, Parque Anhangüera I e II, e Conjunto Cachoeira Dourada, o projeto foi aberto pelo prefeito de Goiânia, Iris Rezende, ao som do Hino Nacional.

Com a estrutura montada na Rua B-16, ao lado do Cais Novo Horizonte, órgãos da prefeitura atendiam moradores que buscavam atendimento médico, expedição de documentos, atividades recreativas e culturais. Huily Silva Maia, 14, foi em busca da primeira via do Cadastro de Pessoa Física (CPF). Além dos serviços oferecidos, foram inauguradas praças, avenidas, revisão da iluminação, limpeza das ruas e bocas-de-lobo. O presidente da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), Wagner Siqueira, ressaltou a presença da Comurg nas melhorias. “A Comurg e toda sua equipe foram encarregadas de limpar lotes baldios, pintar meios-fios, distribuir mudas de árvore e remover entulhos.” Segundo a assessoria de comunicação do Dermu-Compav, também foi inaugurada a Avenida das Azaléias, que vai ser responsável por desafogar o trânsito na região.

Elogios – A deputada federal Iris de Araújo (PMDB) ressaltou a importância do mutirão. “É a administração verdadeira. O mandato passa, as obras ficam”, elogia. Iris comentou a forma que a prefeitura adotou para realizar as obras. “O mutirão é onde o povo e o Estado se abraçam na busca de melhores condições de vida”, diz.

Publicado originalmente, dia 02/09/2007 em:

Concursos lotam salas

Lorena, Zingarah e Thainá Torres de Arruda
estudam para alcançar postos de trabalho no serviço público


João Paulo Teixeira
e Daniela Ribeiro


Os concursos públicos tiveram um boom em 2007. A afirmação é feita pela Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos Públicos (Anpac) que prevê 100 mil contratações em níveis federal, estadual e municipal. A procura pelos processos seletivos cresceu consideravelmente e a estimativa é de que 5 milhões concurseiros estejam se preparando para garantirem um posto com estabilidade e salários altos.

Em Goiânia, a procura por uma vaga no serviço público lota as salas de cursinhos.O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) já autorizou 6.819 vagas até o final do ano, mas a previsão é de que 30 mil postos sejam abertos até 2010. Como nem todos as vagas foram definidas, não existe previsão do número total de postos para o Estado. Porém, já foram confirmados concursos para órgãos como o Ministério Público Estadual e a Polícia Civil.

Para a diretora executiva da Anpac, Maria Thereza Sombra, o aumento no número de vagas ocorre por causa da aposentadoria de muitos funcionários públicos e a criação de novos órgãos e cargos.estudo - Para conseguir ocupar uma das vagas previstas os concurseiros lotam as salas de aula das escolas preparatórias espalhadas pela cidade. De acordo com a Anpac, só as inscrições dos exames movimentam R$ 500 milhões por ano. Além disso, os cursos e editoras especializadas nesse segmento movimentam cerca de R$ 150 milhões por ano.

Os cursinhos preparatórios se tornaram um mercado promissor e de acordo com a diretora executiva da Anpac, são a melhor opção para quem quer ocupar umas das vagas previstas nos concursos. “Eles são importantíssimos. Uma prova de concurso é totalmente diferente de uma de vestibular ou de escola, então a preparação precisa ser diferente”, argumenta.

O diretor de um curso preparátorio de Goiânia, Lionel Brizola, diz que perfil dos concurseiros, em geral, é de quem já atua na profissão e deseja ascenção na carreira. “A maioria dos nossos alunos são os chamados alunos trabalhadores, que exercem uma função em um período e estudam em outro. Muitos são políciais militares, agentes jurídicos e escrivães,” explica. Para Lionel, os alunos que procuram um curso preparatório querem eficiência e objetividade ao ministrar os conteúdos.

Apesar dos cursos preparatórios serem importantes para a aprovação nos exames, dados da Anpac revelam que apenas 10% dos candidatos, algo em torno de 500 mil pessoas, freqüentam anualmente as salas de aulas. Para quem não tem dinheiro para frequentar um cursinho, Maria Thereza orienta dedicação aos estudos. “Se não passar da primeira vez não desista. Estude até conseguir.”Ela diz que a procura pelos cargos públicos representa um sinônimo de estabilidade, bons salários e benefícios. “Quem é funcionário público tem a certeza de que não será mandado embora. A iniciativa privada não tem aberto muitas vagas e além disso, não tem estabilidade.”

Família de concurseiros Um exemplo de vida dedicada a ser aprovado em concursos é da família Tôrres de Arruda. As três irmãs estudam diariamente para alcançar uma das vagas no serviço público. A mãe e o pai das garotas, ambos funcionários públicos, são a inspiração para a determinação e persistência. A advogada Thainá Tôrres de Arruda, 23, estuda desde o início do ano passado para vencer a acirrada seleção e no futuro, alcançar o posto de juíza do trabalho.

Ela, que chegou a ser aprovada no concurso para a Prefeitura de Goiânia, abandonou a função para se dedicar ao objetivo. Pagando mais de R$ 400 por mês em um curso preparatório, e com matrícula já confirmada em outro curso específico para o cargo, Thainá estuda seis dias por semana, mais de 10 horas por dia. O esforço, que já lhe rendeu dores lombares e uma gastrite, é, segundo ela a única forma de conseguir a remuneração e a estabilidade da função pública "Não existe mágica. O único caminho é estudar e acumular o máximo de conhecimento possível", acredita.

Lorena Tôrres de Arruda, 20, segue os mesmos passos da irmã. Cursando o quarto ano de Direito na Universidade Federal de Goiás (UFG), Lorena estuda desde o começo do curso para ser aprovada no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e depois, para promotora estadual. Ela, que não vai muito a festas para se dedicar ao estudo, foi aprovada no início do ano no concurso do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas não se efetivou na função para dar continuidade a faculdade "É preciso focar em uma área. Não adianta prestar vários processos seletivos e não ser aprovado ou não se satisfazer em nenhum".

A fisioterapeuta e professora universitária Zíngarah Májory Tôrres de Arruda tomou gosto pela função pública ao prestar serviços para o Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Ela, que também se gradua em Direito vê na área um meio para obter maiores remunerações "Adoro trabalhar como fisioterapeuta, mas o Direito pode me ajudar a ser melhor remunerada". Zíngarah também reforça o pensamento das irmãs, que para ser aprovado nas provas, é preciso transformar o estudo em rotina de trabalho.

Publicado originalmente, dia 01/09/2007 em:

União em prol do ensino

Deputada federal Raquel Teixeira (PSDB) é
uma das pioneiras na implantação do
'Todos pela educação' em Goiás

João Paulo Teixeira

Unir a sociedade civil na busca por ensino básico de qualidade é o principal objetivo do comitê “Todos pela Educação”, que será implantado no próximo mês em Goiás. O projeto, lançado nacionalmente no dia 6 de setembro de 2006 nas escadarias do Museu do Ipiranga, em São Paulo, é formado por representantes da sociedade civil, da iniciativa privada, educadores e dos gestores públicos.

O comitê desenvolveu cinco metas que devem revolucionar a Educação brasileira até o ano de 2022. No dia 14 de setembro, a primeira reunião técnica traz a Goiânia membros da direção nacional, que devem consolidar a proposta de implantação do programa no Estado de Goiás. As metas – precursoras do Programa de Desenvolvimento da Educação (PDE) do governo federal – almejam, até o bicenténário da Independência, 100% das crianças de 4 a 17 anos matriculadas na escola.

Atualmente, o índice entre crianças de 7 a 14 anos é de 97% no Brasil e de 98% em Goiás. Tratando-se de jovens entre 15 e 17 anos, os valores caem para 82% no Brasil e 81% no Estado. Outra meta do programa é adequar o aprendizado de todo aluno à respectiva série. Pelos dados do último levantamento, apenas 27% dos alunos da terceira série do ensino fundamental dominam os conteúdos pertinentes ao período. Ao concluir o ensino médio, apenas 18% do goianos dominam o conhecimento do nível intermediário. “Mais de 80% dos alunos que terminam esta faixa de ensino não têm o conhecimento que deveriam ter. Se a sociedade não se atentar para esta realidade, nunca vamos ser independentes de fato”, comentou a ex-secretária estadual de Educação e professora Eliana França, ontem, em visita ao Diário da Manhã.

Para transformar as metas em ações, Eliana França ressalta que o programa ainda deve reverter pelo menos 5% do Produto Interno Bruto (PIB) para a Educação. Atualmente, a área conta com 3,5%. A deputada federal Raquel Teixeira (PSDB), que também integra o grupo articulador do comitê em Goiás, desvincula ação política do programa. “O Todos pela Educação tem uma intenção suprapartidária. Não é uma iniciativa minha, do deputado Thiago Peixoto ou do senador Marconi Perillo. É uma atitude da sociedade civil,” afirma. Raquel representou Goiás no lançamento nacional do projeto, no ano de 2006, na cidade de São Paulo.

O deputado estadual Thiago Peixoto (PMDB) também reforça a idéia. Ontem, em visita ao DM, ele disse que o comitê não vai discutir a Educação apenas entre educadores. “Toda a sociedade civil pode e deve participar.” Thiago faz visitas e palestras em faculdades, empresas e organizações para divulgar o projeto, uma vez que acredita que toda a sociedade deve tomar conhecimento do assunto. Ele foi um dos parlamentares goianos que viajaram a São Paulo e que manifestaram interesse em implantar o programa no Estado.

Publicado originalmente, dia 31/08/2007 em:


Nova fórmula reduz pressão sangüínea

João Paulo Teixeira
e Daniel Gondim

Pesquisa realizada na Inglaterra afirma ter descoberto um novo método para regularizar a pressão sangüínea. Desenvolvida no King’s College de Londres, a novidade pode descortinar uma geração de medicamentos mais eficazes no tratamento da hipertensão e beneficiar mais de 600 milhões de hipertensos em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Para se ter idéia do tamanho do problema, em Goiânia, 36,2% da população acima de 18 anos de idade é hipertensa, conforme dados de pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG). A prevalência nacional varia de 25% a 40%, de acordo com cada região brasileira.

A nova arma contra hipertensão descoberta pelos londrinos usa como método a associação do processo de oxidação – antes visto como um vilão que causa danos às células – com proteína quinase G. É exatamente a ligação entre os dois que reduz a pressão arterial. A ciência já conhecia a importância da quinase G, também conhecida por PKG, nos tecidos e no sistema cardiovascular. Agora, o desafio é transferir para os medicamentos método de bloqueio dos eventos que levam ao ataque cardíaco.

Segundo a coordenação do instituto londrino, foram encontradas informações sobre o estresse oxidante nas células, a relação destes com o ritmo dos batimentos do coração e a interferência destes nos processos inflamatórios. O doutor em cardiologia pela Universidade de São Paulo (USP) Abrahão Afiune explica que a descoberta dos ingleses é importante porque mostra que a ação da proteína quinase G pode ser regulada independentemente do óxido nítrico “a ciência já sabe há muito tempo que a hipertensão está ligada a variações do óxido nítrico”.

274 mil mortos A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera hipertenso quem apresenta pressão arterial constante acima de 135 por 85 mm/Hg. Geralmente os sintomas são imperceptíveis ou ausentes na fase inical do distúrbio. Em 2003, o Ministério da Saúde apontou que 274 mil brasileiros morreram por causa de doenças cardiovasculares, o dobro de mortos por câncer.

A aposentada Lázara Maria de Jesus, 83, sofre com a doença há mais de dez anos. De seis em seis meses visita o cardiologista para fazer um acompanhamento da doença. Ela conta que toma três comprimidos diferentes por dia e que, se deixar de tomar algum, a pressão sobe. “Não posso nem pensar em esquecer de tomar que a pressão já aumenta e eu começo sentir tontura e o peito começa a doer”, conta. Durante todo esse tempo, Lázara já trocou de remédio três vezes, pois o medicamento já não conseguia manter a pressão normal.

Publicado originalmente, dia 29/08/2007 em:

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Hantavirose também é problema

João Paulo Teixeira

A morte de um jovem de 22 anos vítima de hantavirose em Valparaíso, no Entorno do Distrito Federal, reacende a preocupação com a doença em Goiás. O rapaz deu entrada no hospital do Gama no dia 19 de julho. Apresentando febre alta, tose seca, dor abdominal e insuficiência respiratória aguda, o jovem faleceu no mesmo dia que procurou o hospital. A confirmação do óbito por razão da hantavirofoi dada pelo Laboratório Central do Distrito Federal.

O gerente regional de Saúde do Entorno Sul, Felipe Alves Cesário, afirmou que o local de contágio da vítima ainda é incerto, uma vez que é remota a possibilidade de um rato silvestre, transmissor da doença, no lugar de trabalho da vítima. “Vamos investigar com a família e amigos se o rapaz viajou a alguma zona rural nos últimos 40 dias. Inspecionamos toda a loja onde ele trabalhava, no Centro, e consideramos difícil um rato silvestre no local”, concluiu.
A hantavirose é uma doença viral, transmitida pelo contato com o hantavírus, encontrado na urina e nas fezes de ratos silvestres. O contágio acontece pela aspiração do vírus, suspenso em ambientes fechados, como silos e depósitos. Os sintomas apresentados são febre, dor de cabeça, tosse seca e infecção pulmonar aguda, que pode levar a óbito.

Como não há tratamento específico para a enfermidade, muitas vezes os sintomas devem ser tratados em unidade de terapia intensiva. O médico epidemiologista Petronor de Carvalho diz que, com a baixa umidade do ar, cresce o número de casos e “o tempo seco aumenta a probabilidade de os vírus serem dispersados pelo ar, aumentando assim, o número de possíveis contagiados.”

A Vigilância Ambiental e Centro de Zoonoses de Valparaíso iniciaram ontem os trabalhos de investigação, incluindo o levantamento dos lugares que o jovem freqüentou nos últimos 40 dias. A inspeção da loja, também realizada pelos dois orgãos, descartou a possibilidade de uma de epidemia de contágio dos outros funcionários do lugar.

Publicado originalmente, dia 28/08/2007

Enem atrai 78 mil goianos

Estudantes que fizeram a prova
do Enen no setor Universitário

João Paulo Teixeira e
Renato Rodrigues

Mais de 78 mil goianos fizeram ontem a décima edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), aplicado em 1.331 municípios em todo o Brasil. No Brasil, mais de 3,5 milhões de egressos do ensino médio realizaram a prova. Além de critério de seleção para muitas faculdades e universidades do País, a nota do Enem também é usada pelo Ministério da Educação (MEC) para avaliação do nível dos alunos que terminam a escolaridade básica. Pela primeira vez na história do Enem, o número de inscritos na prova de 63 questões objetivas e uma redação diminui. No Estado, a queda foi de mais de 17%, maior que a média nacional, que ficou em 4,66%.

De acordo com informações do Instituto Nacional de Ensino e Pesquisa (Inep), em todo o País não houve registros de contratempos durante a realização das provas. Em Goiânia, estudantes que fizeram o exame na Área I da Universidade Católica de Goiás (UCG), no Setor Universitário, vão utilizá-lo para tentar concorrer a uma vaga do Programa Universidade para Todos (Prouni) do governo federal. Criado há três anos, o programa é destinado à concessão de bolsas de estudo integrais e parciais para cursos de graduação e seqüenciais de formação em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos.

A estudante Rebecca Louzada Pereira, 17, cursa o 3º ano do ensino médio e acredita que saiu bem nas provas. Ela pretende fazer faculdade de Medicina e vai usar o Enem para facilitar o ingresso no ensino superior. “A prova foi bem elaborada e cobrou muita interpretação de texto”, completa. Candidato ao curso de Engenharia Civil, Rodrigo Carneiro da Silva, 16, considerou a prova de dificuldade média. “A prova mais difícil foi a de História.” O jovem avalia como positiva a iniciativa do Enem ser válida para a seleção do Prouni, mas defende a criação de mais vagas no programa para alunos da rede pública de ensino. Rodrigo estuda em colégio particular e considera que o acesso para os alunos de escolas públicas ao ensino superior é mais difícil.

Alunos que já estão cursando o ensino superior também tentaram o Enem deste ano. É o caso de Renato Brito Silva, 18, que faz o 2º período de licenciatura em Física na Universidade Católica de Goiás. “Quero tentar uma bolsa do Prouni, pois os estudos estão muito caros”, completa. O objetivo de Renato é conseguir média para ser contemplado pelo programa do governo federal. Como já entrou na faculdade, ele continua no mesmo período que está sem necessidade de um novo vestibular, explica. A estudante Fernanda Rodrigues, 29, concluiu há oito anos o ensino médio e também quer concorrer a uma bolsa de estudos no ensino superior. Segundo ela, a prova cobrou muitos conhecimentos gerais, mas diz que seu desempenho foi bom. Ela está otimista com o Enem e sonha em conseguir uma bolsa do Prouni para ingressar no 3º grau.

Patrícia Santos Carvalho, 18, veio de Hidrolândia para Goiânia fazer o Enem e considerou as provas de Redação e Biologia as mais difíceis do exame, mas, no geral, os assuntos estavam acessíveis. Ela afirma que se saiu bem e que o tempo dado aos candidatos foi suficiente para finalizar a prova sem pressa. Patrícia sonha em ser enfermeira e vai utilizar o Enem para tornar esse sonho realidade, por meio de uma bolsa do Prouni.

Publicado originalmente, dia 27/08/2007 em:

Acidente fatal na BR-153

João Paulo Teixeira

O veículo Fiat/Palio Weekend placa LUJ, final 87, capotou na BR-153, próximo à cidade de Professor Jamil, por volta das 7 horas de ontem. O veículo transportava oito pessoas, entre elas, cinco crianças. Maria Severino Ribeiro, 67, morreu antes de receber socorro médico no local. Com exceção do condutor, Juraci Ribeiro da Silva, e de Maria Severino, todos os passageiros foram levados pelas unidades de resgate do Corpo de Bombeiros ao Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo).

Publicado originalmente, dia 27/08/2007 em:
http://www.dm.com.br/materias.php?id=13162

Incêndio atinge 50 hectares de bairro em Senador Canedo

João Paulo Teixeira

O Corpo de Bombeiros combateu focos de incêndio na região metropolitana de Goiânia e no interior do Estado. Mais de 20 homens foram deslocados para a região rural de Senador Canedo, nas proximidades do Condôminio Veneza, para conter o fogo.O incêndio alastrou-se por uma área de mais de 50 hectares de vegetação nativa. Homens do corpo de bombeiros passaram todo o final de semana trabalhando no local.

MARIPOTABA – Durante o sábado, equipes da brigada de Aparecida de Goiânia atenderam a um chamado da cidade de Maripotaba (a 97 quilômetros da Capital) para conter foco de incêndio que atingiu área de 45 mil metros quadrados no município. Nenhum dos incêndios deixou vítimas.De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, um dos motivos para os grandes focos de incêndio no Estado é o tempo seco e a pouca umidade. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que a umidade relativa do ar em Goiânia chegou neste final de semana a níveis inferiores a 20%.A meteorologia prevê para hoje em Goiás tempo claro, com névoa seca e temperaturas entre 35ºC e 20ºC. Em todo o Estado, a temperatura máxima pode chegar a 37ºC e a mínima fica em 12ºC. A umidade relativa do ar continua baixa e deve variar entre 60% e 15%.

Publicado originalmente, dia 27/08/2007 em:

domingo, 26 de agosto de 2007

Falso seqüestro volta a assustar os goianienses

Adalberto Ruchelle (29.06.07)
Chefe do Grupo Anti-seqüestro da Deic,
Renata Chein: investigações apontam
que as ligações e as contas
bancárias são do Rio de Janeiro

João Paulo Teixeira

Falsos seqüestros voltam a assustar os moradores de Goiânia. A Delegacia Estadual de Investigação Criminal (Deic) chegou a registrar mais de 40 casos do crime apenas em julho. Só na última semana, cinco deles aconteceram no Setor Jaó. No último dia 20, uma moradora que não quis ser identificada conta que recebeu telefonema em que diziam que a filha estava em poder de seqüestradores. Após 30 minutos de ligação e pedidos de depósito de R$ 10 mil em uma conta bancária, o marido da vítima foi à delegacia do bairro. Um agente do 26º Distrito Policial (DP) perguntou ao suposto seqüestrador o nome da filha. A ligação caiu.

O crime, caracterizado como extorsão ou tentativa de extorsão, com pena de 4 a 10 anos de reclusão, geralmente é praticado com ligação telefônica a cobrar no período matutino. Do outro lado da linha, o interlocutor diz estar de posse de um ente querido da vítima e pede uma alta quantia em dinheiro. A delegada titular do 26º DP, no Setor Jaó, Maria Dalva Doca, diz que o bairro sofre ataques porque é considerado de classe média-alta, o que desperta interesse de criminosos. Para ela, também é possível que a quadrilha possua um catálogo telefônico da região, daí os diversos casos registrados no setor. A delegada diz que, em alguns casos, as vítimas, sensibilizadas, juram que a voz é realmente do ente próximo. “Uma mulher que procurou a delegacia disse que podia jurar que os gritos que ouvia no telefone eram do seu filho de 9 anos”, conta.

A chefe do Grupo Anti-seqüestro da Deic, Renata Chein, acredita que as ligações sejam feitas a partir de algum catálogo telefônico. “Como há casos de várias vítimas no mesmo bairro, é mais provável esta relação.” Ela afirma que as investigações apontam que as ligações e os números das contas bancárias são do Estado do Rio de Janeiro. “Felizmente, muitas vezes a transferência não chega a ser efetivada. A própria agência instrui o cliente a procurar a polícia”, ressalta.

Apesar dos índices alarmantes, o delegado titular da Deic, Itamar Lourenço de Lima, aposta em números de casos ainda maiores. “Como a polícia nem sempre é procurada, ou, às vezes, esta procura ocorre apenas informalmente, pelo telefone, é provável um número maior ainda de casos.” O delegado sublinha que, nos meses de abril, maio e junho, esta modalidade de extorsão caiu consideravelmente, sendo substituída por tentativas de estelionato, como as ligações premiadas, onde a vítima é levada a acreditar que ganhou um prêmio, e quando vai ao local recebê-lo, é assaltada.

Publicado originalmente, dia 26/08/2007 em:

terça-feira, 21 de agosto de 2007

MPF quer anular licitação das obras para reforma no Santa Genoveva

João Paulo Teixeira

O Ministério Público Federal (MPF) quer a anulação da licitação das obras de ampliação do Aeroporto Santa Genoveva. As obras estão paralisadas desde o último dia 8, quando o MPF anulou a autorização da Justiça Federal que determinava a continuidade das obras. O procurador da República Raphael Perissé explica que o MPF contestou a licitação por entender que apenas um edital de construção para a pista de manobra, um novo terminal e a reaparelhagem do aeroporto são irregulares, uma vez que não atende ao príncipio do menor preço de concorrência para os três setores simultaneamente. “É necessário fracionar a licitação. A lei de licitações traz como regra a divisão de serviços prestados,” cita.Raphael Perissé afirmou que, se aprovado o primeiro modelo do edital de licitações, é possível superfaturamento na realização da ampliação. Apesar de o juiz de primeiro grau do Tribunal Regional Federal (TRF) considerar a ação cível pública improcedente, a 5ª Turma de desembargadores do TRF decidiu por unanimidade concordar com o MP e suspender as obras. Sobre a retomada das obras, o procurador da República explicou as duas saídas possíveis. “A Infraero pode recorrer ao STF para manter o edital de licitações e deixar a obra parada até o julgamento ou reconhecer o vício na licitação e fazer um novo contrato.” A assessoria de imprensa da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero) afirmou que não vai se pronunciar sobre o assunto. Vôo 1355 – Apenas um susto, foi o que descreveu a companhia aérea Gol sobre o vôo 1355, que iria, no domingo, do Aeroporto Santa Genoveva a Guarulhos, em São Paulo. Com um problema hidráulico, o Boeing 737 acionou o reverso e freou bruscamente, chegando a causar pânico em alguns passageiros. Apesar do problema impedir a aeronove sair do chão, a assessoria de imprensa da companhia informou que todos os passageiros foram reacomodados nos vôos seguintes, com o mesmo destino.Diferente de domingo quando a Infraero registrou mais de 180 vôos atrasados (18,6% do total) e 89 cancelamentos nos 42 aeroportos do Brasil, ontem constava apenas 66 atrasos (5,1% do total) e 104 cancelados. No Aeroporto Santa Genoveva, duas das 20 decolagens foram canceladas.

Publicado originalmente, dia 21/08/2008 em:

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Prefeitura realiza mutirão

João Paulo Teixeira

A região do Morro do Mendanha recebeu neste fim de semana o “Programa Mutirão nos Bairros”. Além de uma nova praça, os bairros da área tiveram lâmpadas trocadas, poda de árvores, pintura de meios-fios e recuperação do asfalto. A Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma) ainda distribuiu mudas de árvores do Cerrado. A população também contou com os serviços de atendimento oftalmológico, aferição de pressão arterial, vacinação e consultas médicas. O prefeito Iris Rezende diz que as frentes de trabalho e os mutirões são ferramentas que a atual administração adotou para resolver os problemas do povo.

Publicado originalmente, dia 20/08/2007 em:
http://www.dm.com.br/materias.php?id=12494

Acidentes em estradas goianas deixam 6 mortos

João Paulo Teixeira e Daniela Ribeiro

Seis pessoas morreram em acidentes nas rodovias goianas neste fim de semana. Ontem, por volta das 11 horas, Glastone Fernando Borges, 57, Osvaldir Felisberto da Cruz, 23, e o motorista (não identificado até o fechamento desta edição) faleceram ao colidir frontalmente o veículo VW/Parati, placa JNK-1847, com um caminhão, placa BWH-1392. O episódio aconteceu na BR-153, próximo à cidade de Hidrolândia.Na noite de sábado, Edmar Barbosa de Rezende, 26, morreu na GO-010, no km 79, após bater a moto em um veículo de passeio. No mesmo dia, por volta das 14 horas, Fábio Cardoso Gomes, 32, também faleceu depois de bater sua moto na traseira de um caminhão. O acidente aconteceu na BR-153, km 498. O motociclista não viu a sinalização do acostamento. Na GO-164, Jorge Pereira de Araújo, 49, morreu depois que seu caminhão bateu em uma carreta.

Publicado originalmente, dia 20/08/2007 em:
http://www.dm.com.br/materias.php?id=12493

Número de mortos no trânsito cresce 24%

João Paulo Teixeira

Nos primeiros cinco meses deste ano, 34 pedestres morreram atropelados nas ruas da Capital. Ano passado, o número foi de 19 vítimas. Somados todos os atropelamentos e colisões no Estado, o número sobe para 111 mortes ao mês, um aumento de quase 24% em relação ao mesmo período de 2006, quando 1.206 pessoas perderam suas vidas nas vias e rodovias goianas. Os dados do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO), para o diretor técnico do órgão, Orácio Melo, são a combinação do aumento da frota e da imprudência na hora de dirigir. Ele acredita que a falta de punição é uma das causadoras do índice, que considera assustador. “É preciso intensificar a punição. Não existe indústria da multa. Multa só ocorre por que há infração. Quem obedece as leis de trânsito não é multado.” Orácio Melo ainda cita que apenas uma parte pequena de todas as infrações de trânsito é convertida em multas e relembra que o poder público gastou mais de R$ 26 milhões em assistência aos 906 feridos em acidentes de trânsito em Goiás. Para reduzir as estatísticas de mortos e feridos no trânsito em 2008, o diretor técnico do Detran emprega a receita aplicada pelo órgão. “É preciso conscientizar, como o Detran já faz há muito tempo com as campanhas, e intensificar a punição”, acredita.O comandante da primeira companhia da Polícia Rodoviária Estadual, Marco Antônio Castro, vê nos pedestres um alvo fácil para os atropelamentos. Coordenador da região que engloba a GO-060 na saída para Trindade, Marco Antônio recomenda à população para que redobre os cuidados ao se expor às vias urbanas e rodovias. “Muitas vezes, se vê o pedestre atravessando fora da faixa, em regiões altamente movimentadas e perigosas.” O comandante ainda recomenda ao motorista a sempre reduzir a velocidade ao aproximar de perímetros urbanos.Para diminuir a incidência de atropelamentos nas rodovias que ligam as cidades goianas, a Polícia Rodoviária Estadual (PRE) elaborou o programa “Paz na Estrada”, monitorando a travessia dos pedestres nas faixas. “É preciso tratar o trânsito com seriedade e a CNH como um diploma. Ninguém pode aceitar índices de morte iguais aos de guerra”, concluiu o diretor técnico do Detran.
Casos – Em março, a dona de casa Lourdes Ferreira da Silveira, 62, entrou nas estatísticas dos feridos em atropelamento do Detran. Ela foi atropelada quando atravessava uma das faixas da Avenida T-4. Teve ferimentos leves e foi conduzida para observação médica em pronto-socorro próximo. Testemunhas disseram que o sinal estava amarelo para o condutor do carro.

Publicado originalmente, dia 18/08/2007 em:

Rodovias na região sudoeste reabilitadas

João Paulo Teixeira

Trechos das rodovias que ligam os municípios de Caçu e Itarumã foram reabilitados pelo governo do Estado. Ontem, o governador Alcides Rodrigues e o presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), José Américo de Sousa, inauguraram a nova pavimentação de 44 quilômetros da GO-206, ligando à BR-364 a região sudoeste do Estado. A reconstrução do trecho inaugurado custou aos cofres públicos cerca de R$ 9 milhões. A obra é financiada pelo Banco Mundial (Bird). A instituição disponibilizou 50% da verba e o governo estadual arcou com o resto.De acordo com o presidente da Agetop, engenheiro José Américo de Sousa, a expectativa do órgão é de concluir 100% do revestimento ou capa asfáltica da próxima etapa da obra (entre Itarumã e a divisa com o Mato Grosso do Sul) até a primeira quinzena de outubro. A reconstrução das GOs 206 e 178 está sendo feita sem interrupção do tráfego, que é aproximadamente de 800 veículos por dia. Com o avanço das obras de reabilitação, esse trecho das GOs 206 e 178 está prestes a sair da lista dos pontos críticos da malha rodoviária estadual. As GOs 206 e 178 são vias de ligação do sudoeste goiano com os Estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo. As estradas dão acesso a Itajá, entrada para o município turístico de Lagoa Santa.

Publicado originalmente, dia 18/08/2007 em:

Inmetro recolhe em Goiânia 38 tipos de brinquedos da Mattel

João Paulo Teixeira

A Superintendência do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial de Goiás (Supgo/Inmetro) recolheu ontem, em lojas de brinquedos da Capital, os produtos da multinacional Mattel. As amostras recolhidas nos estoques das lojas fazem parte do lote de mais de 18 milhões de produtos (850 mil apenas no Brasil) que vão para recall. Os 38 tipos de brinquedos listados como defeituosos pela empresa californiana foram produzidos na China e, conforme testes do órgão de defesa do consumidor americano (US Consumer Product Safety Commission, CPSC), possuem ímãs que podem facilmente se desprender e tinta que contém alta concentração de chumbo. Nos EUA, três crianças engoliram dois ímãs e tiveram que ser operadas para desbloquear o sistema digestivo. No Brasil, não há registros.A coordenadora da Superintendência do Inmetro de Goiás, Marlene Cardoso, explica que recolhe amostras dos brinquedos para constatar se há irregularidades nos produtos pelas normas brasileiras. Ela acredita que a operação garante que todos os produtos classificados como não recomendados pelo fabricante sejam mantidos fora das prateleiras. Na Lojas Americanas do shopping Flamboyant, duas bonecas da marca Polly fabricadas pela Mattel foram encaminhadas para análise em laboratórios credenciados pelo Inmetro no Estado de São Paulo. Graça Maria Bessa, agente de fiscalização do órgão, diz que o lojista e o consumidor que adquiriram o brinquedo serão ressarcidos pela fábrica e que todos os produtos indicados já estão fora das prateleiras. Após os novos testes nos produtos, o Inmetro vai emitir um novo certificado. “Os pais devem revisar todos os brinquedos dos filhos na hora da compra”, diz a agente de fiscalização do Inmetro, Maria das Dores. Informações pelo telefone 0800 77-01-207 ou e-mail brasil@mattel.com.

Publicado originalmente, dia 17/08/2007 em:
http://www.dm.com.br/materias.php?id=12145

Goiás tem 64 pontos de exploração sexual

Jonathan Jayme e João Paulo Teixeira

Relatório divulgado ontem pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Organização Internacional do Trabalho (OIT) identificou pelo menos 64 pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes ao longo das rodovias federais que cortam Goiás. O levantamento feito durante operações da PRF ao longo de 2006 aponta a BR-153 como a mais crítica, com 27 áreas de prostituição – três na região metropolitana. Cerca de 50 menores foram encaminhados à conselhos tutelares em diligências.A pesquisa, que observou postos de gasolina, boates, motéis, casas noturnas e outros locais que favorecem o crime, também destaca a BR-060 com 16 pontos, a maioria em regiões próximas ao entorno do Distrito Federal. “Isso porque aquelas cidades passaram por um boom populacional, com altos índices de criminalidade”, afirma o assessor de comunicação da PRF em Goiás, inspetor Newton Moraes.Assim como em todo o percurso que corta a BR-153 no Estado, o trecho que corta Goiânia é afetado pelo alto fluxo de veículos e também pelo elevado índice de casas noturnas, bares e restaurantes. “Essa é a principal rodovia. Ela liga o norte ao sul do País”, acrescenta Newton. Segundo o inspetor, o perímetro mais crítico da Capital está entre as Centrais de Abastecimento de Goiás (Ceasa) e o final da cidade de Aparecida de Goiânia. “Em especial, a região dos motéis”, completa.Segundo o assessor de comunicação da PRF, além dos pontos fixos suscetíveis à exploração, há casos onde o explorador é detido no transporte de crianças e adolescentes. O inspetor cita como exemplo a prisão do operador de caldeira Fabiano Silva Guimarães, 33, no último dia 5. Ele foi abordado pela PRF de Goiatuba (a 173 km de Goiânia), na BR-153, com três menores dentro do veículo. As meninas tinham 11, 13 e 15 anos. Exames feitos na menina de 13 anos constataram o abuso. Ela havia passado o fim de semana em Itumbiara (a 204 km de Goiânia), em uma casa que supostamente funcionava como ponto de encontro entre clientes e menores que se prostituiam.Em todo o Brasil, o mapa da PRF aponta a existência de um total de 1.819 locais vulneráveis para a prostituição infantil nas estradas federais. De acordo com o levantamento, Minas Gerais é o Estado com o maior número de pontos suscetíveis à exploração. São 290 locais suspeitos. No Amapá, a PRF não identificou nenhum ponto.
PERFIL – O antropólogo e pesquisador do programa Invertendo a Rota, da Universidade Católica de Goiás (UCG), Benedito Rodrigues dos Santos, afirma que a maioria das vítimas de exploração sexual nas rodovias goianas tem entre 16 e 18 anos e possuem, em geral, baixo poder aquisitivo. Entretanto o antropólogo, que também é secretário executivo do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, ressalta que não há uma relação direta entre pobreza e exploração sexual e que fatores como a falta de responsabilização e punição são os eixos centrais para o favorecimento de tantos pontos potenciais de exploração sexual no Brasil. O pesquisador também atentou para a necessidade de se combater o denominado “consumidor sexual”, o último e essencial elo da cadeia. No programa Invertendo a Rota, equipes de educadores se dirigem a alguns pontos suspeitos da região metropolitana de Goiânia, como bares, boates e postos para observar, identificar e abordar crianças e adolescentes.

Publicado originalmente, dia 16/08/2007 em:

Reformulação

Novamente, esta página vai passar por uma reformulação. Agora, publicarei todos os dias, textos exclusivamente jornalistícos.

terça-feira, 17 de julho de 2007

O novo desertor do sistema


Rafael Capote é o mais novo exilado cubano no Brasil. O ex-atleta da seleção cubana de handebol acordou cedo, juntou as malinhas, e sumiu da vila do Pan. Segundo apurações e reportagens, viajou do Rio até a casa de um amigo, – outro atleta cubano exilado – na grande São Paulo. O rapaz, de 19 anos e que gastou 600 reais com a viagem, ao ser encontrado por jornalistas, disse que fugiu em busca de maiores oportunidades para praticar a profissão que tanto ama. Cuba, em convênio esportivo com a Venezuela, investiu mais de 40 milhões de dólares nos mais de 500 atletas enviados ao Pan de 2007 e, acontece isto. O pior é que Capote não é o primeiro figurão a manchar as listras e a estrela do país caribenho. Desde 1991, somados todos os Pan-americanos, mais de 80 atletas já deixaram o país em plena competição. Em Winnipeg, no Canadá, 13 atletas tiveram a mesma postura. O tablóide The Winnipeg Sun, em 1999 , chegou a fazer um bolão, premiando o leitor que acertasse o número de cubanos desertores. Mesmo com toda a conspiração – como sempre – da mídia e do imperialismo e da globalização, Cuba, como tudo indica, no Rio também, terminou em segundo lugar no quadro geral de medalhas. A nós brasileiros, lá atrás na classificação, só resta cantar: “Isso aqui tá muito bom, isto aqui tá com demais. Quem tá fora quer entrar, quem tá dentro não saí”.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Retorno

Irei retornar as postagens nesta página. E não como antes. O caractér formal e jornalístico que o blog possuia como versão beta da Folha de Campinas, vai adquirir abrangência, tanto editorialmente quanto temático. Irá suportar comentários de notícias, crônicas e poemas. Textos em geral, com diversas abordagens. Mais ou menos como o outro endereço, mas não diariamente. E não começarei hoje. Não é uma obrigação. Será inspiração.
E ela, é pouca.

sábado, 24 de março de 2007

Os dias em que a Cultura parou

João Paulo Teixeira

DEMISSÃO DE FUNCIONÁRIOS PARALISOU POR MAIS DE UM MÊS AS ATIVIDADES DA AGEPEL, CANCELANDO O FUNCIONAMENTO DE METADE DOS CENTROS CULTURAIS DO ESTADO.
Desde o dia 28 de fevereiro, mais de 60% do quadro de funcionários da Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira (Agepel) foram exonerados. Dos 511 funcionários lotados, 309 foram demitidos pela Agência por ocuparem cargos comissionados. Enquanto não se definia a contratação dos servidores concursados e da recontratação de alguns comissionados, órgãos fundamentais da cultura de Goiás, como o Centro Cultural Gustav Ritter, a Escola de Artes Visuais, o Teatro Goiânia, a Biblioteca Pio Vargas, a Galeria Frei Confaloni, a Gibiteca Jorge Braga, o Centro Cultural Martim Cererê, os Museus Pedro Ludovico Teixeira e Zoroastro Artiaga e o Cine Cultura permaneceram, por mais de um mês, com as portas fechadas.
Como o número de funcionários mantido nos cargos eram insuficientes, das 28 unidades culturais da Agepel, 16 tiveram suas atividades suspensas. Desde intão, mais de um mês se passou, e somente dia 2 de Abril as atividades estão previstas para reiniciarem com curso normal.

Gustav Ritter

No Centro Cultural Gustav Ritter, alunos, pais e professores iniciaram uma manifestação logo no dia posterior a paralisação. Segundo testemunhas, apenas um cadeado no portão e um cartaz informava que as atividades foram suspensas por tempo indeterminado. A diretora do Centro Cultural Gustav Ritter e Gerente de formação artística da Agepel, Dilma Barbosa Yamada explicou que parte da paralisação ocorreu por que, 17 funcionários não comissionados pediram demissão, atrapalhando o funcionamento do maior Centro Cultural de Campinas. Quanto ao comunicado aos alunos, pais, professores e a imprensa, a diretora afirmou que ele não aconteceu satisfatoriamente por motivos pessoais de saúde.
Sobre aos prejuízos gerados com a paralisação, Dilma Barbosa afirmou que as aulas serão repostas e que os alunos não pagaram a taxa referente ao mês paralisado. Quando questionada pelo Corpo de Balé do Centro Cultural Gustav Ritter, que a mais de um ano se preparava para o Festival de Dança de Joinville, precisava gravar uma fita de vídeo para enviar a seleção do evento, e que não podiam ensaiar por que o Gustav Ritter permanecia fechado, a diretora informou que os alunos foram deslocados para a Escola Veiga-Vale, conseguindo assim, gravar e enviar a fita de vídeo. Sobre a possível seleção no Festival de Joinville, Dilma disse que não possui ainda retorno do poder público e que não pode afirmar se as despesas com viagem e estadia serão custeadas.
Enquanto a reportagem da Folha de Campinas conversava com os funcionários do Centro Cultural Gustav Ritter, era possível perceber a movimentação de homens reformando a estrutura física do prédio, erguido em 1950, e denunciado diversas vezes pelo comprometimento estrutural da obra. A diretora ainda afirmou que a paralisação repentina das aulas acabou servindo para um adiantamento inesperado na reforma, que estava programada para acontecer no período das aulas. Dilma também criticou a postura dos alunos do Centro, que segundo ela, são os maiores responsáveis pela destruição do patrimônio mobiliário e histórico. Baseado na enquête feita pela Folha de Campinas nas ruas do bairro, confirmando que o campineiro mais sente falta é um teatro, Dilma Barbosa Yamada disse que já chegou a propor o projeto, que foi encaminhado a câmara de deputados, que não chegou a ser concretizado, pois a verba foi destinada ao Centro Cultural Oscar Niemayer. Sobre a viabilidade física e arquitetônica da construção do teatro, no mesmo terreno do Centro Cultural Gustav Ritter, a diretora e gerente de formação artística da Agepel disse que a obra, além de dar destaque ao bairro e a produção artística da região, deve ao mesmo tempo dinamizar o espaço vizinho, ocupado pelo Ginásio de Esportes de Campinas, afugentando criminosos e abrindo espaço para atividades físicas, que deverão ser reavivadas com o aumento do número de freqüentadores da região. Para concretizar os projetos, na opinião da diretora, seriam necessárias pessoas competentes do bairro, incentivadas pelo poder público, que se comprometam a melhorar a qualidade de vida em Campinas. “O grande defeito do governo é investir muito em obras, mas pouco em recursos humanos”, desabafou a diretora, que ainda não sabe se permanece no cargo na atual gestão.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Imprensa, Política e Democracia

Percebemos definitivamente o papel da Imprensa e da Política na sociedade democrática. E este jornal, fruto de uma iniciativa independente, é a forma de ressaltar este papel. Papel de buscar qualidade social. Buscar conhecer a realidade, ouvindo as pessoas, identificando suas carências e cobrando soluções. E cobrando, sempre, pela força democrática que somente a política proporciona. Política não de gabinetes ou palanques. Política de rua, que constrói o mecanismo que gera e recebe participação, preservando os direitos fundamentais do homem. Política para inibir as reações autoritárias, de qualquer, fundo ideológico e garantir, sobretudo, Justiça social. Para isso, usamos o meio mais eficiente de se conseguir soluções diretas e duradouras para o povo Brasileiro, Goiano, Goianiense e Campineiro. A Imprensa. E como Imprensa séria, livre, responsável, aliada da vida, do progresso e da felicidade, surge a Folha de Campinas.

Tudo no mesmo lugar

João Paulo Teixeira

Se você vai se casar, já sabe o lugar. Em Campinas é que se encontra o maior comércio artigos de casamento de Goiânia. Precisa de malhas, sabe onde procurar. Produtos agropecuários, selas, couros, peças para veículos, máquinas industriais, eletroeletrônicos. E gêneros alimentícios, bares, e restaurantes. Tudo no mesmo lugar. Campinas. Mais 5 mil lojas de varejo e atacado, num raio de 10 quilômetros e pólos comerciais de roupas, calçados, malhas, jóias, eletroeletrônicos e alimentos, atraem todo dia, mais de 100 mil pessoas. Toda essa multidão, somada a mais de 14 mil habitantes, gera 65% da arrecadação de tributos de Goiânia. E esse volume de modernidade convive diariamente com 22 prédios de arquitetura art déco, do projeto original de Goiânia.
A concentração começou desde 1810, quando foi erguido o município de Campinas, que deu origem a nova capital do Estado, fundada por Pedro Ludovico Teixeira. Durante todo esse tempo, o movimento comercial só faz crescer e tornar-se a cada ano mais independente. Lojas com mais de meio século fazem divisas, de ponto e freguesia, com lojas de redes nacionais e até multinacionais. Um dos motivos que faz o comércio de Campinas ser tão consolidado, além da variedade, são os diversos tipos de especialização que cada conjunto de rua oferece. As ruas Benjamim Constant, Honestino Guimarães, São Paulo e Ademar Ferrugem abrigam lojas de folheados, bijuterias e jóias. Paula Alvarenga, freqüentadora destas ruas, diz que vem a Campinas a cada 30 dias para comprar jóias e bijuterias para revender na cidade de Jataí, no interior do Estado. Apesar de sempre comprar as peças no mesmo lugar, Paula se queixa da dificuldade para encontrar uma vaga de estacionamento.
Já nas ruas Honestino Guimarães, Minas Gerais, São Paulo e Avenida Anhangüera estão mais de 600 lojas que formam o chamado eixo das malharias. Empresária de uma loja do eixo, Fátima Assis, diz que o comércio de tecidos e malhas vem sofrendo resistência com a diminuição do número de clientes dispostos a comprar o tecido e confeccionar a própria roupa. Fátima diz que agora, seu principal público já não é mais o consumidor de varejo, mas pequenas confecções e industrias de vestuário. Maria Assunção, dona de uma malharia na Avenida Anhanguera se queixa da pesada carga tributária. Apesar do contraponto, Maria acredita o segmento consegue se manter devido a clientela que chega de do interior de Goiás e de todo Centro-Norte do país.
Entre as ruas José Hermano, Rio Grande do Sul, Geraldo Ney e Jaraguá, encontra-se muitas das lojas de artigos para casamentos. Fernando Aldo, que possui uma loja de aluguel de trajes masculinos há sete anos, diz que o negocio é convidativo e o fato de as lojas encontrarem-se uma ao lado das outras contribuem muito para aumentar o movimento de clientes. Aldo ressalta ainda que o comércio em geral da região ganharia um novo fôlego se a circulação do transito fosse melhorada, incluindo áreas de estacionamento para facilitar a vinda do cliente.
Na avenida 24 de outubro, jugular desta força comercial, estão instaladas grandes redes de eletroeletrônicos, armarinhos, produtos para festas, embalagens, móveis, artigos de couros, agropecuários e peças e acessórios para motos e carros. Um pouco acima, na avenida Anhanguera, iniciando pelos três grandes camelódromos, a via mistura modernidade e história entrelaçada com a forte vocação comercial campineira. Também na ancoragem desta receita de sucesso, estão lojas cinqüentenárias, combinando atendimento exclusivo ao cliente e preço baixo. Na mesma faixa etária também está a famosa Feira de Campinas, que comemora este ano, meio século de existência.Prova da excelência do atendimento e da força do comércio de Campinas, Cláudio Pereira de Abreu, vendedor de uma grande loja de eletrodomésticos na rua Benjamin Constant, conta que mesmo a loja praticando os mesmos preços das outras filiais de Goiânia, a de Campinas sempre figura entre as primeiras colocadas em vendas. Para ele, a receita do sucesso está no atendimento ao público, na proximidade de várias lojas de diversos segmentos uma ao lado da outra e de haver um grande número de pessoas se deslocando dos mais diversos bairros da cidade, do interior e de até outros Estados para sustentar o comércio campineiro, gerando assim, empregos para pessoas como ele, que moram na região metropolitana da capital. Comprovando a afirmação de Cláudio, o levantamento realizado pela Prefeitura e pela Secretária da Fazenda mostra a Campininha das Flores com a maior densidade demográfica da capital, gerando atualmente mais de 80 mil empregos diretos.

Comerciantes e freqüentadores denunciam descaso com Praça Joaquim Lúcio

João Paulo Teixeira


Lixo, sujeira, moradores de rua, água parada, pisos quebrados e um coreto mal conservado e pichado é o que se encontra na Praça Cel. Joaquim Lúcio, de acordo com comerciantes, taxistas e freqüentadores do local. A praça, revitalizada em abril de 2002, abrigo de carnavais das décadas de 30 e 40 já não possui a mesma áurea dos contos de José Mendonça Teles. Segundo a comerciante Sebastiana Inácio, que há 14 anos trabalha na praça, o local sofre com moradores de rua e vandalismos que acabam por dispersar a freguesia. Sebastiana conta que, além de estacionamentos seguros, faltam também banheiros públicos, um dos principais e antigos problemas da praça. A comerciante também acredita que a retirada da Biblioteca Virtual, que dispunha computadores para o acesso a Internet, anteriormente instalada no Coreto influiu na queda de movimento de sua banca de revistas. Wilson Campos, que morou na década de 80 em Campinas e agora reside em Vilhena, Rondônia se diz surpreso com o desleixo que a praça se encontra. A praça, que chegou a receber uma consulta popular para definir qual a arquitetura adotada na restauração, agora sofre com a falta de manutenção do patrimônio restaurado. Na porta de entrada do coreto, amontoa-se lixo e papéis. Já nos canteiros, a água se acumula em poças, causando inclusive, risco de doenças como a dengue. No outro extremo, os taxistas reclamam do ponto desfavorecido e oculto que receberam com a revitalização. Dispostos antes na avenida 24 de outubro, dizem-se prejudicados com a alteração,para a rua ..... , . Marcos Antonio de Oliveira, professor de História na Universidade Estadual de Goiás – UEG – e residente em Campinas expressa o sentimento da população. Segundo ele, a praça mostra a visão de abandono que Campinas sofre por partes dos poderes públicos. O patrimônio histórico é depreciado, mostrando um total desrespeito a cultura e sociedade campineira e goianiense. Marcos conta que ficou inviável levar a família ao local, uma vez não se sente seguro e não vê atrações satisfatórias de lazer e entretenimento, principalmente com a desativação da Biblioteca Virtual, que funcionava no coreto atendendo a população com computadores ligados a internet. O professor alega que já denunciou o descaso a Associação de Moradores de Campinas e recorreu a imprensa, embora em não recebeu medidas satisfatórias. A Secretária de Meio Ambiente de Goiânia foi procurada, mas não respondeu as solicitações dos moradores.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Centro Cultural Gustav Ritter e a formação cultural de Campinas

João Paulo Teixeira


O Centro Cultural Gustav Ritter foi fundado em 1988, quando o governo do Estado comprou um edifício, próximo a Igreja Matriz de Campinas, para ser a sede da Orquestra Filarmônica de Goiás. Logo depois, somando as vocações do povo campineiro às grandes dimensões do edifício, instalou-se, também no Centro Cultural Gustav Ritter, a Escola de Música e Dança e a Orquestra de Violeiros. Já a história do prédio se confunde com a de Campinas. Foi erguido entre 1946 e 1950, pelos Pe. Oscar Chagas e Antonio Penteado para abrigar os padres Redentoristas que chegavam de todas as partes de Goiás. Em estilo Art Déco, a construção ainda imponente, funcionou como casa aos Redentoristas até 1986, quando passou a se dedicar a formar músicos, artistas, bailarinos e cidadãos. E não são poucos os que devem sua formação e sucesso, inclusive internacional, aos professores e colaboradores do Centro Cultural Gustav Ritter. Williene Teles Sampaio, aprovada em uma companhia de balé de Washignton, Estados Unidos, conta que deve toda sua formação aos mestres do Centro. Paulo Arrais, também formado em balé, venceu o premio Opera Paris, e atualmente apresenta-se no Royal Balé da Inglaterra. Eliabe Vieira, depois de classificado entre os melhores do Brasil, foi para o Balé da Dinamarca. E a lista não é mais extensa, porque, como afirma Williene Teles, muitos dos classificados não tem como arcar com as despesas de custos e não possuem patrocínios. Patrícia Nogueira, mãe de uma aluna do curso de flauta, questiona a cobrança de mensalidades e taxas de matrículas. Um meio que ela aponta para excluir as cobranças é vincular as Escolas de Música e Dança a Secretária de Educação e não a Agência de Cultura. Compartilha desta mesma opinião o músico e professor Charles D’Artagnan. Charles, que mora em Campinas desde 1963, é musico há 25 anos e tem cinco Cds gravados, acredita que a medida, se for juridicamente possível, trará mais profissionalismo ao Centro, uma vez que vai exigir concurso público para a contratação do corpo docente. Uma melhor seleção de profissionais, segundo ele, vai melhorar a remuneração da classe e valorizar boas administrações, como a da diretora Dilma Barbosa. O professor, que estudou no conservatório de música de Tatuí, o maior da América Latina, e viajou em apresentações por Roma, Madri, e Paris, vê nessa medida, além de parcerias com a iniciativa privada, um meio de melhorar o ensino, os instrumentos e a estrutura física do Centro. Formador de talentos populares e eruditos para a música goiana, a que considera originalmente brasileira, Charles D’Artagnan pensa que o Centro Cultural Gustav Ritter deve ser mais bem cuidado, e a taxas, se cobradas, devem ser revertidas para a manutenção. O músico observa ainda que, a expansão de novos centros culturais a diversos bairros de Goiânia, além de descobrir novos talentos, contribuí para reacender sentimentos de orgulho e paixão pelo bairro, cidade e cultura que aprendem a conhecer, assim como ele aprendeu a apreciar, Campinas e sua vocação cultural.



Quem pode participar do Centro Cultural Gustav Ritter

Podem participar dos cursos de Violino, Viola, Violoncelo, Contrabaixo, Violão, Piano, Flauta, Clarineta, Saxofone, Trompa, Trombone, Tuba, Bateria, Teclado, Técnica Vocal, Canto Coral, Percepção Musical, Regência Coral e Preparatório para o vestibular de música, crianças a partir de nove anos de idade, adolescente e adultos. Já a Escola de Dança oferece o curso de Balé Clássico, sendo que Sapateado e Jazz fazem parte do curso, crianças de 6 a 10 anos de idade. Os aprovados nos testes de aptidão, realizados entre 26 a 28 de fevereiro, podem procurar a secretária do Centro e efetuar a matrícula após pagar a taxa de 30 Reais, e mensalidades de nove parcelas de 10 reais.

Quem foi Gustav Ritter

Hering Gustav Ritter, que teve o nome imortalizado com a Centro Cultural, nasceu em Hamburgo, Alemanha, em 10 de Março de 1904 mas faleceu em Goiânia em 22 de outubro de 1971. Hering Gustav Ritter veio para o Brasil em 1925, depois de cursar a Escola de Belas Artes de Hamburgo. Trabalhando três anos como marceneiro, ofício que aprendeu na Escola de Belas Artes , Hering residiu em Estrela, Rio Grande do Sul. Em 1932, voltou a Alemanha e prestou exames de mestria perante a Câmara de Artes, setor marcenaria. Inconformado com o regime nazista, Hering Gustav Ritter aceitou o convite de amigos e mudou-se para a província de Loreto, no Peru. Em 1936, desceu o alto Amazonas peruano para retornar definitivamente ao Brasil. Trabalhou como arquiteto e desenhista no Ceará e Minas Gerais, quando em 1949, foi nomeado professor de Ensino Técnico e Industrial do Ministério da Educação da Escola Técnica Federal de Goiás. Lecionou Desenho de Móveis até 1970, quando fundou com o professor Luis Curato a Escola de Belas Artes da Universidade Católica de Goiás. Também foi fundador-professor do Instituto de Belas Artes da Universidade Federal de Goiás, onde se tornou titular da cadeira de Escultura, depois de ser nomeado cônsul honorário da Alemanha no Estado de Goiás.