terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Imprensa, Política e Democracia

Percebemos definitivamente o papel da Imprensa e da Política na sociedade democrática. E este jornal, fruto de uma iniciativa independente, é a forma de ressaltar este papel. Papel de buscar qualidade social. Buscar conhecer a realidade, ouvindo as pessoas, identificando suas carências e cobrando soluções. E cobrando, sempre, pela força democrática que somente a política proporciona. Política não de gabinetes ou palanques. Política de rua, que constrói o mecanismo que gera e recebe participação, preservando os direitos fundamentais do homem. Política para inibir as reações autoritárias, de qualquer, fundo ideológico e garantir, sobretudo, Justiça social. Para isso, usamos o meio mais eficiente de se conseguir soluções diretas e duradouras para o povo Brasileiro, Goiano, Goianiense e Campineiro. A Imprensa. E como Imprensa séria, livre, responsável, aliada da vida, do progresso e da felicidade, surge a Folha de Campinas.

Tudo no mesmo lugar

João Paulo Teixeira

Se você vai se casar, já sabe o lugar. Em Campinas é que se encontra o maior comércio artigos de casamento de Goiânia. Precisa de malhas, sabe onde procurar. Produtos agropecuários, selas, couros, peças para veículos, máquinas industriais, eletroeletrônicos. E gêneros alimentícios, bares, e restaurantes. Tudo no mesmo lugar. Campinas. Mais 5 mil lojas de varejo e atacado, num raio de 10 quilômetros e pólos comerciais de roupas, calçados, malhas, jóias, eletroeletrônicos e alimentos, atraem todo dia, mais de 100 mil pessoas. Toda essa multidão, somada a mais de 14 mil habitantes, gera 65% da arrecadação de tributos de Goiânia. E esse volume de modernidade convive diariamente com 22 prédios de arquitetura art déco, do projeto original de Goiânia.
A concentração começou desde 1810, quando foi erguido o município de Campinas, que deu origem a nova capital do Estado, fundada por Pedro Ludovico Teixeira. Durante todo esse tempo, o movimento comercial só faz crescer e tornar-se a cada ano mais independente. Lojas com mais de meio século fazem divisas, de ponto e freguesia, com lojas de redes nacionais e até multinacionais. Um dos motivos que faz o comércio de Campinas ser tão consolidado, além da variedade, são os diversos tipos de especialização que cada conjunto de rua oferece. As ruas Benjamim Constant, Honestino Guimarães, São Paulo e Ademar Ferrugem abrigam lojas de folheados, bijuterias e jóias. Paula Alvarenga, freqüentadora destas ruas, diz que vem a Campinas a cada 30 dias para comprar jóias e bijuterias para revender na cidade de Jataí, no interior do Estado. Apesar de sempre comprar as peças no mesmo lugar, Paula se queixa da dificuldade para encontrar uma vaga de estacionamento.
Já nas ruas Honestino Guimarães, Minas Gerais, São Paulo e Avenida Anhangüera estão mais de 600 lojas que formam o chamado eixo das malharias. Empresária de uma loja do eixo, Fátima Assis, diz que o comércio de tecidos e malhas vem sofrendo resistência com a diminuição do número de clientes dispostos a comprar o tecido e confeccionar a própria roupa. Fátima diz que agora, seu principal público já não é mais o consumidor de varejo, mas pequenas confecções e industrias de vestuário. Maria Assunção, dona de uma malharia na Avenida Anhanguera se queixa da pesada carga tributária. Apesar do contraponto, Maria acredita o segmento consegue se manter devido a clientela que chega de do interior de Goiás e de todo Centro-Norte do país.
Entre as ruas José Hermano, Rio Grande do Sul, Geraldo Ney e Jaraguá, encontra-se muitas das lojas de artigos para casamentos. Fernando Aldo, que possui uma loja de aluguel de trajes masculinos há sete anos, diz que o negocio é convidativo e o fato de as lojas encontrarem-se uma ao lado das outras contribuem muito para aumentar o movimento de clientes. Aldo ressalta ainda que o comércio em geral da região ganharia um novo fôlego se a circulação do transito fosse melhorada, incluindo áreas de estacionamento para facilitar a vinda do cliente.
Na avenida 24 de outubro, jugular desta força comercial, estão instaladas grandes redes de eletroeletrônicos, armarinhos, produtos para festas, embalagens, móveis, artigos de couros, agropecuários e peças e acessórios para motos e carros. Um pouco acima, na avenida Anhanguera, iniciando pelos três grandes camelódromos, a via mistura modernidade e história entrelaçada com a forte vocação comercial campineira. Também na ancoragem desta receita de sucesso, estão lojas cinqüentenárias, combinando atendimento exclusivo ao cliente e preço baixo. Na mesma faixa etária também está a famosa Feira de Campinas, que comemora este ano, meio século de existência.Prova da excelência do atendimento e da força do comércio de Campinas, Cláudio Pereira de Abreu, vendedor de uma grande loja de eletrodomésticos na rua Benjamin Constant, conta que mesmo a loja praticando os mesmos preços das outras filiais de Goiânia, a de Campinas sempre figura entre as primeiras colocadas em vendas. Para ele, a receita do sucesso está no atendimento ao público, na proximidade de várias lojas de diversos segmentos uma ao lado da outra e de haver um grande número de pessoas se deslocando dos mais diversos bairros da cidade, do interior e de até outros Estados para sustentar o comércio campineiro, gerando assim, empregos para pessoas como ele, que moram na região metropolitana da capital. Comprovando a afirmação de Cláudio, o levantamento realizado pela Prefeitura e pela Secretária da Fazenda mostra a Campininha das Flores com a maior densidade demográfica da capital, gerando atualmente mais de 80 mil empregos diretos.

Comerciantes e freqüentadores denunciam descaso com Praça Joaquim Lúcio

João Paulo Teixeira


Lixo, sujeira, moradores de rua, água parada, pisos quebrados e um coreto mal conservado e pichado é o que se encontra na Praça Cel. Joaquim Lúcio, de acordo com comerciantes, taxistas e freqüentadores do local. A praça, revitalizada em abril de 2002, abrigo de carnavais das décadas de 30 e 40 já não possui a mesma áurea dos contos de José Mendonça Teles. Segundo a comerciante Sebastiana Inácio, que há 14 anos trabalha na praça, o local sofre com moradores de rua e vandalismos que acabam por dispersar a freguesia. Sebastiana conta que, além de estacionamentos seguros, faltam também banheiros públicos, um dos principais e antigos problemas da praça. A comerciante também acredita que a retirada da Biblioteca Virtual, que dispunha computadores para o acesso a Internet, anteriormente instalada no Coreto influiu na queda de movimento de sua banca de revistas. Wilson Campos, que morou na década de 80 em Campinas e agora reside em Vilhena, Rondônia se diz surpreso com o desleixo que a praça se encontra. A praça, que chegou a receber uma consulta popular para definir qual a arquitetura adotada na restauração, agora sofre com a falta de manutenção do patrimônio restaurado. Na porta de entrada do coreto, amontoa-se lixo e papéis. Já nos canteiros, a água se acumula em poças, causando inclusive, risco de doenças como a dengue. No outro extremo, os taxistas reclamam do ponto desfavorecido e oculto que receberam com a revitalização. Dispostos antes na avenida 24 de outubro, dizem-se prejudicados com a alteração,para a rua ..... , . Marcos Antonio de Oliveira, professor de História na Universidade Estadual de Goiás – UEG – e residente em Campinas expressa o sentimento da população. Segundo ele, a praça mostra a visão de abandono que Campinas sofre por partes dos poderes públicos. O patrimônio histórico é depreciado, mostrando um total desrespeito a cultura e sociedade campineira e goianiense. Marcos conta que ficou inviável levar a família ao local, uma vez não se sente seguro e não vê atrações satisfatórias de lazer e entretenimento, principalmente com a desativação da Biblioteca Virtual, que funcionava no coreto atendendo a população com computadores ligados a internet. O professor alega que já denunciou o descaso a Associação de Moradores de Campinas e recorreu a imprensa, embora em não recebeu medidas satisfatórias. A Secretária de Meio Ambiente de Goiânia foi procurada, mas não respondeu as solicitações dos moradores.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Centro Cultural Gustav Ritter e a formação cultural de Campinas

João Paulo Teixeira


O Centro Cultural Gustav Ritter foi fundado em 1988, quando o governo do Estado comprou um edifício, próximo a Igreja Matriz de Campinas, para ser a sede da Orquestra Filarmônica de Goiás. Logo depois, somando as vocações do povo campineiro às grandes dimensões do edifício, instalou-se, também no Centro Cultural Gustav Ritter, a Escola de Música e Dança e a Orquestra de Violeiros. Já a história do prédio se confunde com a de Campinas. Foi erguido entre 1946 e 1950, pelos Pe. Oscar Chagas e Antonio Penteado para abrigar os padres Redentoristas que chegavam de todas as partes de Goiás. Em estilo Art Déco, a construção ainda imponente, funcionou como casa aos Redentoristas até 1986, quando passou a se dedicar a formar músicos, artistas, bailarinos e cidadãos. E não são poucos os que devem sua formação e sucesso, inclusive internacional, aos professores e colaboradores do Centro Cultural Gustav Ritter. Williene Teles Sampaio, aprovada em uma companhia de balé de Washignton, Estados Unidos, conta que deve toda sua formação aos mestres do Centro. Paulo Arrais, também formado em balé, venceu o premio Opera Paris, e atualmente apresenta-se no Royal Balé da Inglaterra. Eliabe Vieira, depois de classificado entre os melhores do Brasil, foi para o Balé da Dinamarca. E a lista não é mais extensa, porque, como afirma Williene Teles, muitos dos classificados não tem como arcar com as despesas de custos e não possuem patrocínios. Patrícia Nogueira, mãe de uma aluna do curso de flauta, questiona a cobrança de mensalidades e taxas de matrículas. Um meio que ela aponta para excluir as cobranças é vincular as Escolas de Música e Dança a Secretária de Educação e não a Agência de Cultura. Compartilha desta mesma opinião o músico e professor Charles D’Artagnan. Charles, que mora em Campinas desde 1963, é musico há 25 anos e tem cinco Cds gravados, acredita que a medida, se for juridicamente possível, trará mais profissionalismo ao Centro, uma vez que vai exigir concurso público para a contratação do corpo docente. Uma melhor seleção de profissionais, segundo ele, vai melhorar a remuneração da classe e valorizar boas administrações, como a da diretora Dilma Barbosa. O professor, que estudou no conservatório de música de Tatuí, o maior da América Latina, e viajou em apresentações por Roma, Madri, e Paris, vê nessa medida, além de parcerias com a iniciativa privada, um meio de melhorar o ensino, os instrumentos e a estrutura física do Centro. Formador de talentos populares e eruditos para a música goiana, a que considera originalmente brasileira, Charles D’Artagnan pensa que o Centro Cultural Gustav Ritter deve ser mais bem cuidado, e a taxas, se cobradas, devem ser revertidas para a manutenção. O músico observa ainda que, a expansão de novos centros culturais a diversos bairros de Goiânia, além de descobrir novos talentos, contribuí para reacender sentimentos de orgulho e paixão pelo bairro, cidade e cultura que aprendem a conhecer, assim como ele aprendeu a apreciar, Campinas e sua vocação cultural.



Quem pode participar do Centro Cultural Gustav Ritter

Podem participar dos cursos de Violino, Viola, Violoncelo, Contrabaixo, Violão, Piano, Flauta, Clarineta, Saxofone, Trompa, Trombone, Tuba, Bateria, Teclado, Técnica Vocal, Canto Coral, Percepção Musical, Regência Coral e Preparatório para o vestibular de música, crianças a partir de nove anos de idade, adolescente e adultos. Já a Escola de Dança oferece o curso de Balé Clássico, sendo que Sapateado e Jazz fazem parte do curso, crianças de 6 a 10 anos de idade. Os aprovados nos testes de aptidão, realizados entre 26 a 28 de fevereiro, podem procurar a secretária do Centro e efetuar a matrícula após pagar a taxa de 30 Reais, e mensalidades de nove parcelas de 10 reais.

Quem foi Gustav Ritter

Hering Gustav Ritter, que teve o nome imortalizado com a Centro Cultural, nasceu em Hamburgo, Alemanha, em 10 de Março de 1904 mas faleceu em Goiânia em 22 de outubro de 1971. Hering Gustav Ritter veio para o Brasil em 1925, depois de cursar a Escola de Belas Artes de Hamburgo. Trabalhando três anos como marceneiro, ofício que aprendeu na Escola de Belas Artes , Hering residiu em Estrela, Rio Grande do Sul. Em 1932, voltou a Alemanha e prestou exames de mestria perante a Câmara de Artes, setor marcenaria. Inconformado com o regime nazista, Hering Gustav Ritter aceitou o convite de amigos e mudou-se para a província de Loreto, no Peru. Em 1936, desceu o alto Amazonas peruano para retornar definitivamente ao Brasil. Trabalhou como arquiteto e desenhista no Ceará e Minas Gerais, quando em 1949, foi nomeado professor de Ensino Técnico e Industrial do Ministério da Educação da Escola Técnica Federal de Goiás. Lecionou Desenho de Móveis até 1970, quando fundou com o professor Luis Curato a Escola de Belas Artes da Universidade Católica de Goiás. Também foi fundador-professor do Instituto de Belas Artes da Universidade Federal de Goiás, onde se tornou titular da cadeira de Escultura, depois de ser nomeado cônsul honorário da Alemanha no Estado de Goiás.

Objetivos da página

Este blog vai servir como uma versão Beta para o Jornal Folha de Campinas. Todas as reportagens aqui postadas, vão para as páginas do impresso. O objetivo deste blog, é buscar aperfeiçoar o conteúdo da matéria, com críticas e sugestões de possiveis leitores. Quem, por ventura ler, sinta-se a vontade para indicar a mudanças na abordagem e na estrutura da notícia.