terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Tudo no mesmo lugar

João Paulo Teixeira

Se você vai se casar, já sabe o lugar. Em Campinas é que se encontra o maior comércio artigos de casamento de Goiânia. Precisa de malhas, sabe onde procurar. Produtos agropecuários, selas, couros, peças para veículos, máquinas industriais, eletroeletrônicos. E gêneros alimentícios, bares, e restaurantes. Tudo no mesmo lugar. Campinas. Mais 5 mil lojas de varejo e atacado, num raio de 10 quilômetros e pólos comerciais de roupas, calçados, malhas, jóias, eletroeletrônicos e alimentos, atraem todo dia, mais de 100 mil pessoas. Toda essa multidão, somada a mais de 14 mil habitantes, gera 65% da arrecadação de tributos de Goiânia. E esse volume de modernidade convive diariamente com 22 prédios de arquitetura art déco, do projeto original de Goiânia.
A concentração começou desde 1810, quando foi erguido o município de Campinas, que deu origem a nova capital do Estado, fundada por Pedro Ludovico Teixeira. Durante todo esse tempo, o movimento comercial só faz crescer e tornar-se a cada ano mais independente. Lojas com mais de meio século fazem divisas, de ponto e freguesia, com lojas de redes nacionais e até multinacionais. Um dos motivos que faz o comércio de Campinas ser tão consolidado, além da variedade, são os diversos tipos de especialização que cada conjunto de rua oferece. As ruas Benjamim Constant, Honestino Guimarães, São Paulo e Ademar Ferrugem abrigam lojas de folheados, bijuterias e jóias. Paula Alvarenga, freqüentadora destas ruas, diz que vem a Campinas a cada 30 dias para comprar jóias e bijuterias para revender na cidade de Jataí, no interior do Estado. Apesar de sempre comprar as peças no mesmo lugar, Paula se queixa da dificuldade para encontrar uma vaga de estacionamento.
Já nas ruas Honestino Guimarães, Minas Gerais, São Paulo e Avenida Anhangüera estão mais de 600 lojas que formam o chamado eixo das malharias. Empresária de uma loja do eixo, Fátima Assis, diz que o comércio de tecidos e malhas vem sofrendo resistência com a diminuição do número de clientes dispostos a comprar o tecido e confeccionar a própria roupa. Fátima diz que agora, seu principal público já não é mais o consumidor de varejo, mas pequenas confecções e industrias de vestuário. Maria Assunção, dona de uma malharia na Avenida Anhanguera se queixa da pesada carga tributária. Apesar do contraponto, Maria acredita o segmento consegue se manter devido a clientela que chega de do interior de Goiás e de todo Centro-Norte do país.
Entre as ruas José Hermano, Rio Grande do Sul, Geraldo Ney e Jaraguá, encontra-se muitas das lojas de artigos para casamentos. Fernando Aldo, que possui uma loja de aluguel de trajes masculinos há sete anos, diz que o negocio é convidativo e o fato de as lojas encontrarem-se uma ao lado das outras contribuem muito para aumentar o movimento de clientes. Aldo ressalta ainda que o comércio em geral da região ganharia um novo fôlego se a circulação do transito fosse melhorada, incluindo áreas de estacionamento para facilitar a vinda do cliente.
Na avenida 24 de outubro, jugular desta força comercial, estão instaladas grandes redes de eletroeletrônicos, armarinhos, produtos para festas, embalagens, móveis, artigos de couros, agropecuários e peças e acessórios para motos e carros. Um pouco acima, na avenida Anhanguera, iniciando pelos três grandes camelódromos, a via mistura modernidade e história entrelaçada com a forte vocação comercial campineira. Também na ancoragem desta receita de sucesso, estão lojas cinqüentenárias, combinando atendimento exclusivo ao cliente e preço baixo. Na mesma faixa etária também está a famosa Feira de Campinas, que comemora este ano, meio século de existência.Prova da excelência do atendimento e da força do comércio de Campinas, Cláudio Pereira de Abreu, vendedor de uma grande loja de eletrodomésticos na rua Benjamin Constant, conta que mesmo a loja praticando os mesmos preços das outras filiais de Goiânia, a de Campinas sempre figura entre as primeiras colocadas em vendas. Para ele, a receita do sucesso está no atendimento ao público, na proximidade de várias lojas de diversos segmentos uma ao lado da outra e de haver um grande número de pessoas se deslocando dos mais diversos bairros da cidade, do interior e de até outros Estados para sustentar o comércio campineiro, gerando assim, empregos para pessoas como ele, que moram na região metropolitana da capital. Comprovando a afirmação de Cláudio, o levantamento realizado pela Prefeitura e pela Secretária da Fazenda mostra a Campininha das Flores com a maior densidade demográfica da capital, gerando atualmente mais de 80 mil empregos diretos.

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