sábado, 24 de março de 2007

Os dias em que a Cultura parou

João Paulo Teixeira

DEMISSÃO DE FUNCIONÁRIOS PARALISOU POR MAIS DE UM MÊS AS ATIVIDADES DA AGEPEL, CANCELANDO O FUNCIONAMENTO DE METADE DOS CENTROS CULTURAIS DO ESTADO.
Desde o dia 28 de fevereiro, mais de 60% do quadro de funcionários da Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira (Agepel) foram exonerados. Dos 511 funcionários lotados, 309 foram demitidos pela Agência por ocuparem cargos comissionados. Enquanto não se definia a contratação dos servidores concursados e da recontratação de alguns comissionados, órgãos fundamentais da cultura de Goiás, como o Centro Cultural Gustav Ritter, a Escola de Artes Visuais, o Teatro Goiânia, a Biblioteca Pio Vargas, a Galeria Frei Confaloni, a Gibiteca Jorge Braga, o Centro Cultural Martim Cererê, os Museus Pedro Ludovico Teixeira e Zoroastro Artiaga e o Cine Cultura permaneceram, por mais de um mês, com as portas fechadas.
Como o número de funcionários mantido nos cargos eram insuficientes, das 28 unidades culturais da Agepel, 16 tiveram suas atividades suspensas. Desde intão, mais de um mês se passou, e somente dia 2 de Abril as atividades estão previstas para reiniciarem com curso normal.

Gustav Ritter

No Centro Cultural Gustav Ritter, alunos, pais e professores iniciaram uma manifestação logo no dia posterior a paralisação. Segundo testemunhas, apenas um cadeado no portão e um cartaz informava que as atividades foram suspensas por tempo indeterminado. A diretora do Centro Cultural Gustav Ritter e Gerente de formação artística da Agepel, Dilma Barbosa Yamada explicou que parte da paralisação ocorreu por que, 17 funcionários não comissionados pediram demissão, atrapalhando o funcionamento do maior Centro Cultural de Campinas. Quanto ao comunicado aos alunos, pais, professores e a imprensa, a diretora afirmou que ele não aconteceu satisfatoriamente por motivos pessoais de saúde.
Sobre aos prejuízos gerados com a paralisação, Dilma Barbosa afirmou que as aulas serão repostas e que os alunos não pagaram a taxa referente ao mês paralisado. Quando questionada pelo Corpo de Balé do Centro Cultural Gustav Ritter, que a mais de um ano se preparava para o Festival de Dança de Joinville, precisava gravar uma fita de vídeo para enviar a seleção do evento, e que não podiam ensaiar por que o Gustav Ritter permanecia fechado, a diretora informou que os alunos foram deslocados para a Escola Veiga-Vale, conseguindo assim, gravar e enviar a fita de vídeo. Sobre a possível seleção no Festival de Joinville, Dilma disse que não possui ainda retorno do poder público e que não pode afirmar se as despesas com viagem e estadia serão custeadas.
Enquanto a reportagem da Folha de Campinas conversava com os funcionários do Centro Cultural Gustav Ritter, era possível perceber a movimentação de homens reformando a estrutura física do prédio, erguido em 1950, e denunciado diversas vezes pelo comprometimento estrutural da obra. A diretora ainda afirmou que a paralisação repentina das aulas acabou servindo para um adiantamento inesperado na reforma, que estava programada para acontecer no período das aulas. Dilma também criticou a postura dos alunos do Centro, que segundo ela, são os maiores responsáveis pela destruição do patrimônio mobiliário e histórico. Baseado na enquête feita pela Folha de Campinas nas ruas do bairro, confirmando que o campineiro mais sente falta é um teatro, Dilma Barbosa Yamada disse que já chegou a propor o projeto, que foi encaminhado a câmara de deputados, que não chegou a ser concretizado, pois a verba foi destinada ao Centro Cultural Oscar Niemayer. Sobre a viabilidade física e arquitetônica da construção do teatro, no mesmo terreno do Centro Cultural Gustav Ritter, a diretora e gerente de formação artística da Agepel disse que a obra, além de dar destaque ao bairro e a produção artística da região, deve ao mesmo tempo dinamizar o espaço vizinho, ocupado pelo Ginásio de Esportes de Campinas, afugentando criminosos e abrindo espaço para atividades físicas, que deverão ser reavivadas com o aumento do número de freqüentadores da região. Para concretizar os projetos, na opinião da diretora, seriam necessárias pessoas competentes do bairro, incentivadas pelo poder público, que se comprometam a melhorar a qualidade de vida em Campinas. “O grande defeito do governo é investir muito em obras, mas pouco em recursos humanos”, desabafou a diretora, que ainda não sabe se permanece no cargo na atual gestão.