Adalberto Ruchelle (29.06.07)
Renata Chein: investigações apontam
que as ligações e as contas
bancárias são do Rio de Janeiro
João Paulo Teixeira
Falsos seqüestros voltam a assustar os moradores de Goiânia. A Delegacia Estadual de Investigação Criminal (Deic) chegou a registrar mais de 40 casos do crime apenas em julho. Só na última semana, cinco deles aconteceram no Setor Jaó. No último dia 20, uma moradora que não quis ser identificada conta que recebeu telefonema em que diziam que a filha estava em poder de seqüestradores. Após 30 minutos de ligação e pedidos de depósito de R$ 10 mil em uma conta bancária, o marido da vítima foi à delegacia do bairro. Um agente do 26º Distrito Policial (DP) perguntou ao suposto seqüestrador o nome da filha. A ligação caiu.
O crime, caracterizado como extorsão ou tentativa de extorsão, com pena de 4 a 10 anos de reclusão, geralmente é praticado com ligação telefônica a cobrar no período matutino. Do outro lado da linha, o interlocutor diz estar de posse de um ente querido da vítima e pede uma alta quantia em dinheiro. A delegada titular do 26º DP, no Setor Jaó, Maria Dalva Doca, diz que o bairro sofre ataques porque é considerado de classe média-alta, o que desperta interesse de criminosos. Para ela, também é possível que a quadrilha possua um catálogo telefônico da região, daí os diversos casos registrados no setor. A delegada diz que, em alguns casos, as vítimas, sensibilizadas, juram que a voz é realmente do ente próximo. “Uma mulher que procurou a delegacia disse que podia jurar que os gritos que ouvia no telefone eram do seu filho de 9 anos”, conta.
A chefe do Grupo Anti-seqüestro da Deic, Renata Chein, acredita que as ligações sejam feitas a partir de algum catálogo telefônico. “Como há casos de várias vítimas no mesmo bairro, é mais provável esta relação.” Ela afirma que as investigações apontam que as ligações e os números das contas bancárias são do Estado do Rio de Janeiro. “Felizmente, muitas vezes a transferência não chega a ser efetivada. A própria agência instrui o cliente a procurar a polícia”, ressalta.
Apesar dos índices alarmantes, o delegado titular da Deic, Itamar Lourenço de Lima, aposta em números de casos ainda maiores. “Como a polícia nem sempre é procurada, ou, às vezes, esta procura ocorre apenas informalmente, pelo telefone, é provável um número maior ainda de casos.” O delegado sublinha que, nos meses de abril, maio e junho, esta modalidade de extorsão caiu consideravelmente, sendo substituída por tentativas de estelionato, como as ligações premiadas, onde a vítima é levada a acreditar que ganhou um prêmio, e quando vai ao local recebê-lo, é assaltada.
Publicado originalmente, dia 26/08/2007 em:

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