Jonathan Jayme e João Paulo Teixeira
Relatório divulgado ontem pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Organização Internacional do Trabalho (OIT) identificou pelo menos 64 pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes ao longo das rodovias federais que cortam Goiás. O levantamento feito durante operações da PRF ao longo de 2006 aponta a BR-153 como a mais crítica, com 27 áreas de prostituição – três na região metropolitana. Cerca de 50 menores foram encaminhados à conselhos tutelares em diligências.A pesquisa, que observou postos de gasolina, boates, motéis, casas noturnas e outros locais que favorecem o crime, também destaca a BR-060 com 16 pontos, a maioria em regiões próximas ao entorno do Distrito Federal. “Isso porque aquelas cidades passaram por um boom populacional, com altos índices de criminalidade”, afirma o assessor de comunicação da PRF em Goiás, inspetor Newton Moraes.Assim como em todo o percurso que corta a BR-153 no Estado, o trecho que corta Goiânia é afetado pelo alto fluxo de veículos e também pelo elevado índice de casas noturnas, bares e restaurantes. “Essa é a principal rodovia. Ela liga o norte ao sul do País”, acrescenta Newton. Segundo o inspetor, o perímetro mais crítico da Capital está entre as Centrais de Abastecimento de Goiás (Ceasa) e o final da cidade de Aparecida de Goiânia. “Em especial, a região dos motéis”, completa.Segundo o assessor de comunicação da PRF, além dos pontos fixos suscetíveis à exploração, há casos onde o explorador é detido no transporte de crianças e adolescentes. O inspetor cita como exemplo a prisão do operador de caldeira Fabiano Silva Guimarães, 33, no último dia 5. Ele foi abordado pela PRF de Goiatuba (a 173 km de Goiânia), na BR-153, com três menores dentro do veículo. As meninas tinham 11, 13 e 15 anos. Exames feitos na menina de 13 anos constataram o abuso. Ela havia passado o fim de semana em Itumbiara (a 204 km de Goiânia), em uma casa que supostamente funcionava como ponto de encontro entre clientes e menores que se prostituiam.Em todo o Brasil, o mapa da PRF aponta a existência de um total de 1.819 locais vulneráveis para a prostituição infantil nas estradas federais. De acordo com o levantamento, Minas Gerais é o Estado com o maior número de pontos suscetíveis à exploração. São 290 locais suspeitos. No Amapá, a PRF não identificou nenhum ponto.
PERFIL – O antropólogo e pesquisador do programa Invertendo a Rota, da Universidade Católica de Goiás (UCG), Benedito Rodrigues dos Santos, afirma que a maioria das vítimas de exploração sexual nas rodovias goianas tem entre 16 e 18 anos e possuem, em geral, baixo poder aquisitivo. Entretanto o antropólogo, que também é secretário executivo do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, ressalta que não há uma relação direta entre pobreza e exploração sexual e que fatores como a falta de responsabilização e punição são os eixos centrais para o favorecimento de tantos pontos potenciais de exploração sexual no Brasil. O pesquisador também atentou para a necessidade de se combater o denominado “consumidor sexual”, o último e essencial elo da cadeia. No programa Invertendo a Rota, equipes de educadores se dirigem a alguns pontos suspeitos da região metropolitana de Goiânia, como bares, boates e postos para observar, identificar e abordar crianças e adolescentes.
Publicado originalmente, dia 16/08/2007 em:

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