terça-feira, 4 de setembro de 2007

Concursos lotam salas

Lorena, Zingarah e Thainá Torres de Arruda
estudam para alcançar postos de trabalho no serviço público


João Paulo Teixeira
e Daniela Ribeiro


Os concursos públicos tiveram um boom em 2007. A afirmação é feita pela Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos Públicos (Anpac) que prevê 100 mil contratações em níveis federal, estadual e municipal. A procura pelos processos seletivos cresceu consideravelmente e a estimativa é de que 5 milhões concurseiros estejam se preparando para garantirem um posto com estabilidade e salários altos.

Em Goiânia, a procura por uma vaga no serviço público lota as salas de cursinhos.O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) já autorizou 6.819 vagas até o final do ano, mas a previsão é de que 30 mil postos sejam abertos até 2010. Como nem todos as vagas foram definidas, não existe previsão do número total de postos para o Estado. Porém, já foram confirmados concursos para órgãos como o Ministério Público Estadual e a Polícia Civil.

Para a diretora executiva da Anpac, Maria Thereza Sombra, o aumento no número de vagas ocorre por causa da aposentadoria de muitos funcionários públicos e a criação de novos órgãos e cargos.estudo - Para conseguir ocupar uma das vagas previstas os concurseiros lotam as salas de aula das escolas preparatórias espalhadas pela cidade. De acordo com a Anpac, só as inscrições dos exames movimentam R$ 500 milhões por ano. Além disso, os cursos e editoras especializadas nesse segmento movimentam cerca de R$ 150 milhões por ano.

Os cursinhos preparatórios se tornaram um mercado promissor e de acordo com a diretora executiva da Anpac, são a melhor opção para quem quer ocupar umas das vagas previstas nos concursos. “Eles são importantíssimos. Uma prova de concurso é totalmente diferente de uma de vestibular ou de escola, então a preparação precisa ser diferente”, argumenta.

O diretor de um curso preparátorio de Goiânia, Lionel Brizola, diz que perfil dos concurseiros, em geral, é de quem já atua na profissão e deseja ascenção na carreira. “A maioria dos nossos alunos são os chamados alunos trabalhadores, que exercem uma função em um período e estudam em outro. Muitos são políciais militares, agentes jurídicos e escrivães,” explica. Para Lionel, os alunos que procuram um curso preparatório querem eficiência e objetividade ao ministrar os conteúdos.

Apesar dos cursos preparatórios serem importantes para a aprovação nos exames, dados da Anpac revelam que apenas 10% dos candidatos, algo em torno de 500 mil pessoas, freqüentam anualmente as salas de aulas. Para quem não tem dinheiro para frequentar um cursinho, Maria Thereza orienta dedicação aos estudos. “Se não passar da primeira vez não desista. Estude até conseguir.”Ela diz que a procura pelos cargos públicos representa um sinônimo de estabilidade, bons salários e benefícios. “Quem é funcionário público tem a certeza de que não será mandado embora. A iniciativa privada não tem aberto muitas vagas e além disso, não tem estabilidade.”

Família de concurseiros Um exemplo de vida dedicada a ser aprovado em concursos é da família Tôrres de Arruda. As três irmãs estudam diariamente para alcançar uma das vagas no serviço público. A mãe e o pai das garotas, ambos funcionários públicos, são a inspiração para a determinação e persistência. A advogada Thainá Tôrres de Arruda, 23, estuda desde o início do ano passado para vencer a acirrada seleção e no futuro, alcançar o posto de juíza do trabalho.

Ela, que chegou a ser aprovada no concurso para a Prefeitura de Goiânia, abandonou a função para se dedicar ao objetivo. Pagando mais de R$ 400 por mês em um curso preparatório, e com matrícula já confirmada em outro curso específico para o cargo, Thainá estuda seis dias por semana, mais de 10 horas por dia. O esforço, que já lhe rendeu dores lombares e uma gastrite, é, segundo ela a única forma de conseguir a remuneração e a estabilidade da função pública "Não existe mágica. O único caminho é estudar e acumular o máximo de conhecimento possível", acredita.

Lorena Tôrres de Arruda, 20, segue os mesmos passos da irmã. Cursando o quarto ano de Direito na Universidade Federal de Goiás (UFG), Lorena estuda desde o começo do curso para ser aprovada no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e depois, para promotora estadual. Ela, que não vai muito a festas para se dedicar ao estudo, foi aprovada no início do ano no concurso do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas não se efetivou na função para dar continuidade a faculdade "É preciso focar em uma área. Não adianta prestar vários processos seletivos e não ser aprovado ou não se satisfazer em nenhum".

A fisioterapeuta e professora universitária Zíngarah Májory Tôrres de Arruda tomou gosto pela função pública ao prestar serviços para o Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Ela, que também se gradua em Direito vê na área um meio para obter maiores remunerações "Adoro trabalhar como fisioterapeuta, mas o Direito pode me ajudar a ser melhor remunerada". Zíngarah também reforça o pensamento das irmãs, que para ser aprovado nas provas, é preciso transformar o estudo em rotina de trabalho.

Publicado originalmente, dia 01/09/2007 em:

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