João Paulo Teixeira
O jovem Claudeon Souza do Nascimento, 25, tem uma peculiaridade que o identifica desde os sete anos de idade: a baixa estatura. Natural de Cristópolis, município no interior da Bahia, veio para Goiânia aos dois anos idade com a família. Logo no início da infância a mãe, Ademita Souza do Nascimento, notou a deficiência e procurou auxílio médico. Diagnosticado o problema – nanismo hipofásico – depois de uma peregrinação por postos e hospitais públicos, Claudeon passou mais de oito anos sem tomar os medicamentos por falta de condições financeiras.
Aos 18 anos, quando a vizinha Amélia Maria Ribeiro do Nascimento o levou para iniciar o tratamento contra a doença, um tempo precioso já havia se perdido. O nanismo hipofásico, a mais provável causa da deficiência, é uma doença rara, que reduz quase a zero as taxas do hormônio de crescimento. Mesmo perdendo a faixa etária da puberdade, essencial para tratamentos de estatura, Claudeon ganhou 23 centímetros, saindo de 1,19m para os atuais 1,42m.
O médico endocrinologista Alberto da Silva Dias Filho observa que o sucesso do tratamento foi acima do esperado, considerando a faixa etária de início: como aos 18 anos os chamados núcleos de crescimento já estão praticamente fechados, foi um ganho extremamente significativo. O médico também confirma a expectativa de Claudeon, que, se iniciado antes, o crescimento seria ainda maior.
Mesmo considerando as dificuldades do diagnóstico sem uma análise clínica do caso, a médica endocrinologista Raquel Siqueira acredita que um atraso puberal atrapalhou a atuação do hormônio do crescimento: “A deficiência no hormônio muitas vezes é associada ao hipogonadismo, que se manifesta na ausência de sinais de puberdade.” Ela também ressalta que, em todos os distúrbios de estatura em que a criança não acompanha a curva de crescimento da faixa etária, o correto é consultar imediatamente um médico especializado em Endocrinologia.
De uma família de seis irmãos, Claudeon é o único que apresenta o distúrbio. Mas o sobrinho Artur Cleber, 10, apresenta características semelhantes às do tio. “Ele se parece comigo; é pequenininho também”, comenta Claudeon, que ainda não buscou avaliação médica para Artur.
Rotina Apesar de encontrar dificuldades em atividades rotineiras, como tomar ônibus, e de acreditar que o problema foi responsável por fazê-lo abandonar os estudos no primeiro ano do ensino médio, Claudeon leva uma vida normal e trabalha há seis anos em uma empresa de óticas na Capital. “Sou muito bem aceito na família e na empresa em que trabalho. Todos me tratam bem. Não sinto preconceito, mas queria ter conseguido os medicamentos com uns 10 anos de idade”, lamenta.
Para freqüentar bares, boates ou ir ao estádio assistir aos jogos do Vila Nova Futebol Clube, Claudeon lembra que não pode esquecer a carteira de identidade “Se não me deixam entrar, logo mostro a identidade, e tudo fica liberado. Muita gente não acredita.”
Publicado originalmente, dia 05/09/2007 em:
Aos 18 anos, quando a vizinha Amélia Maria Ribeiro do Nascimento o levou para iniciar o tratamento contra a doença, um tempo precioso já havia se perdido. O nanismo hipofásico, a mais provável causa da deficiência, é uma doença rara, que reduz quase a zero as taxas do hormônio de crescimento. Mesmo perdendo a faixa etária da puberdade, essencial para tratamentos de estatura, Claudeon ganhou 23 centímetros, saindo de 1,19m para os atuais 1,42m.
O médico endocrinologista Alberto da Silva Dias Filho observa que o sucesso do tratamento foi acima do esperado, considerando a faixa etária de início: como aos 18 anos os chamados núcleos de crescimento já estão praticamente fechados, foi um ganho extremamente significativo. O médico também confirma a expectativa de Claudeon, que, se iniciado antes, o crescimento seria ainda maior.
Mesmo considerando as dificuldades do diagnóstico sem uma análise clínica do caso, a médica endocrinologista Raquel Siqueira acredita que um atraso puberal atrapalhou a atuação do hormônio do crescimento: “A deficiência no hormônio muitas vezes é associada ao hipogonadismo, que se manifesta na ausência de sinais de puberdade.” Ela também ressalta que, em todos os distúrbios de estatura em que a criança não acompanha a curva de crescimento da faixa etária, o correto é consultar imediatamente um médico especializado em Endocrinologia.
De uma família de seis irmãos, Claudeon é o único que apresenta o distúrbio. Mas o sobrinho Artur Cleber, 10, apresenta características semelhantes às do tio. “Ele se parece comigo; é pequenininho também”, comenta Claudeon, que ainda não buscou avaliação médica para Artur.
Rotina Apesar de encontrar dificuldades em atividades rotineiras, como tomar ônibus, e de acreditar que o problema foi responsável por fazê-lo abandonar os estudos no primeiro ano do ensino médio, Claudeon leva uma vida normal e trabalha há seis anos em uma empresa de óticas na Capital. “Sou muito bem aceito na família e na empresa em que trabalho. Todos me tratam bem. Não sinto preconceito, mas queria ter conseguido os medicamentos com uns 10 anos de idade”, lamenta.
Para freqüentar bares, boates ou ir ao estádio assistir aos jogos do Vila Nova Futebol Clube, Claudeon lembra que não pode esquecer a carteira de identidade “Se não me deixam entrar, logo mostro a identidade, e tudo fica liberado. Muita gente não acredita.”
Publicado originalmente, dia 05/09/2007 em:

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