João Paulo Teixeira
e Daniel Gondim
Pesquisa realizada na Inglaterra afirma ter descoberto um novo método para regularizar a pressão sangüínea. Desenvolvida no King’s College de Londres, a novidade pode descortinar uma geração de medicamentos mais eficazes no tratamento da hipertensão e beneficiar mais de 600 milhões de hipertensos em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Para se ter idéia do tamanho do problema, em Goiânia, 36,2% da população acima de 18 anos de idade é hipertensa, conforme dados de pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG). A prevalência nacional varia de 25% a 40%, de acordo com cada região brasileira.
A nova arma contra hipertensão descoberta pelos londrinos usa como método a associação do processo de oxidação – antes visto como um vilão que causa danos às células – com proteína quinase G. É exatamente a ligação entre os dois que reduz a pressão arterial. A ciência já conhecia a importância da quinase G, também conhecida por PKG, nos tecidos e no sistema cardiovascular. Agora, o desafio é transferir para os medicamentos método de bloqueio dos eventos que levam ao ataque cardíaco.
Segundo a coordenação do instituto londrino, foram encontradas informações sobre o estresse oxidante nas células, a relação destes com o ritmo dos batimentos do coração e a interferência destes nos processos inflamatórios. O doutor em cardiologia pela Universidade de São Paulo (USP) Abrahão Afiune explica que a descoberta dos ingleses é importante porque mostra que a ação da proteína quinase G pode ser regulada independentemente do óxido nítrico “a ciência já sabe há muito tempo que a hipertensão está ligada a variações do óxido nítrico”.
274 mil mortos A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera hipertenso quem apresenta pressão arterial constante acima de 135 por 85 mm/Hg. Geralmente os sintomas são imperceptíveis ou ausentes na fase inical do distúrbio. Em 2003, o Ministério da Saúde apontou que 274 mil brasileiros morreram por causa de doenças cardiovasculares, o dobro de mortos por câncer.
A aposentada Lázara Maria de Jesus, 83, sofre com a doença há mais de dez anos. De seis em seis meses visita o cardiologista para fazer um acompanhamento da doença. Ela conta que toma três comprimidos diferentes por dia e que, se deixar de tomar algum, a pressão sobe. “Não posso nem pensar em esquecer de tomar que a pressão já aumenta e eu começo sentir tontura e o peito começa a doer”, conta. Durante todo esse tempo, Lázara já trocou de remédio três vezes, pois o medicamento já não conseguia manter a pressão normal.
Publicado originalmente, dia 29/08/2007 em:
Publicado originalmente, dia 29/08/2007 em:

Nenhum comentário:
Postar um comentário